O sub-relator de Contratos da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) dos Correios, deputado José Eduardo Cardozo (PT-SP), recomendou em relatório parcial, apresentado nesta terça-feira, o indiciamento de pelo menos 14 pessoas vinculadas à estatal e a empresas que prestam serviço de correio aéreo noturno à estatal, especialmente a Skymaster e a Brazilian Express Transportes Aéreos (Beta). A votação do parecer, no entanto, foi adiada para a semana que vem, em razão de pedido de vista conjunto por parlamentares, que pretendem ler detalhadamente as 117 páginas do documento.
Os 14 acusados estariam envolvidos em irregularidades nos contratos firmados pelos Correios com a Skymaster e a Beta entre 2000 e 2005, que resultaram em prejuízo de R$ 64 milhões à estatal. O parecer aponta fraude em licitações, superfaturamento de contratos, remessa de divisas ao exterior, falsidade ideológica, formação de quadrilha e tráfico de influência.
Indiciados
O relatório pede o indiciamento pelo Ministério Público da União das seguintes pessoas:
- os ex-presidentes dos Correios Hassan Gebrin e João Henrique de Almeida e Sousa;
- os ex-diretores de Operações da estatal Maurício Coelho Madureira e Carlos Augusto de Lima Sena;
- o ex-chefe do Departamento de Gestão Operacional José Garcia Mendes;
- o presidente e sócio da Beta, Antônio Augusto Conceição Morato Leite Filho;
- os sócios da Aeropostal, Sérgio Perrenoud Vignoli e Roberto Kfouri;
dos diretores da Skymaster, Luiz Otávio Gonçalves, João Marcos Pozzetti e Hugo César Gonçalves;
- a representante da Quintessential Kesia Maria do Nascimento Costa;
- os diretores da Skycargas Jayme Louzada Bacellar e José Tomaz Simioli;
- os responsáveis pelas empresas Skytrade, Quintessential e Forcefield.
Investigações
Cardozo também avalia que deverá aprofundar as investigações sobre a possível participação nos contratos fraudulentos do presidente da Skytrade, Rodrigo Otávio Savassi Gonçalves; do sócio da Expresso Lucat até dezembro de 2002 Armando Sérgio Proietti; do sócio da Expresso Lucat a partir de dezembro de 2002 e sócio da Skycargas Américo Proietti; da sócia da Expresso Lucat Maria de Lourdes Barros Proietti; do sócio da Skycargas Heuser de Ávila Nascimento; dos sócios da Beta Ioannis Amerssonis e Marli Pasqualeto Amerssonis; do sócio da Aeropostal e sócio da Promodal Transportes Aéreos Hélio José Ribeiro; e do ex-secretário-geral do PT Silvio Pereira,.
Tráfico de influência
Silvio Pereira, segundo o relatório parcial de Cardozo, será investigado por possível tráfico de influência. Segundo um dos sócios da Skymaster, Luiz Otávio Gonçalves, que prestou depoimento à CPMI, o ex-secretário do PT teria sido procurado pelo empresário para conseguir uma reunião com o então ministro das Comunicações, o deputado Miro Teixeira (PDT-RJ). Gonçalves disse à CPMI que pretendia falar com o ministro para não haver nova licitação para as linhas operadas por sua empresa e que os contratos vigentes fossem prorrogados.
Ainda conforme o depoimento prestado por Luiz Otávio, tal reunião ocorreu, mas a empresa não conseguiu a prorrogação dos contratos. Além disso, segundo o sócio da Skymaster, quem conseguiu o encontro com o ministro foi o advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, e não Sílvio Pereira.
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Reportagem - Maria Clarice Dias
Edição - Francisco Brandão
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