Sete por cento dos brasileiros são analfabetos, 68% têm nível rudimentar ou básico de alfabetização e 75% não utilizam computador. Os resultados do Indicador Nacional de Alfabetismo Funcional (Inaf) em 2005 foram apresentados pela coordenadora de programas da Organização Não-Governamental Ação Educativa, Vera Masagão Ribeiro. Ela participou do seminário "Desenvolvimento com Inclusão Social - Capacitação Tecnológica da População" nesta terça-feira. O evento, promovido pela Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática e pelo Conselho de Altos Estudos e Avaliação Tecnológica da Câmara , reuniu especialistas para discutir os caminhos a serem seguidos e as iniciativas já em andamento para a superação desse quadro.
Na abertura do seminário, o presidente da Câmara, Aldo Rebelo, observou que a disseminação do conhecimento e da técnica entre os brasileiros é essencial para a promoção do desenvolvimento social, que não pode beneficiar apenas um grupo da sociedade. Aldo acrescentou que a massificação do conhecimento ganha ainda mais importância em um País com índices sociais tão negativos. Segundo ele, não há perspectiva de democracia "profunda e duradoura", se o Brasil não alcançar um patamar de desenvolvimento que assegure a sua independência e soberania.
Progressos
O ministro da Ciência e Tecnologia, Sérgio Rezende, acredita que o Brasil só poderá mudar seu patamar de desenvolvimento se investir nessa área. Ele destacou ações que vêm contribuindo para aproximar o "robusto" sistema de ciência e tecnologia existente no País da população e da economia. Rezende afirmou que, por conta da política industrial e tecnológica elaborada pelo Governo Lula, há hoje a Lei 10973/04, que estimula a inovação nas empresas por meio de mecanismos como empréstimos com taxa de juros mais baixas. O ministro citou também a MP do Bem (Medida Provisória 255/05), sancionada ontem pelo presidente, que cria um instrumento novo: subvenção para empresas contratarem pesquisadores com mestrado e doutorado. "Estamos fazendo um progresso grande para que empresas brasileiras tenham atividade de pesquisa, que é a única forma de vencerem em um mundo globalizado", disse.
Em relação à aproximação entre o sistema de ciência e tecnologia e a população, Rezende lembrou que o ministério criou em 2003 uma secretaria voltada para a inclusão social. Entre as iniciativas dessa secretaria, comandada por Rodrigo Rollemberg, estão, por exemplo, os centros vocacionais tecnológicos (CVT), implementados por meio de parcerias com prefeituras e governos estaduais. Rollemberg destacou que o ministério já investiu R$ 32 milhões em programas de difusão da ciência e de inclusão digital. Entre os projetos contemplados, ele citou, além dos CVT, o patrocínio a centros e museus de ciência e a implementação de centros de inclusão digital nas periferias das cidades com mais de 700 mil habitantes.
O secretário para Inclusão Social reivindicou o aumento dos recursos para o Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), para garantir a continuidade dos programas em andamento. Ele também chamou a atenção para a importância das emendas individuais de parlamentares ao Orçamento. Segundo ele, um contrato do ministério com a Caixa Econômica Federal para execução de emendas de inclusão digital resultará na criação de 800 a mil novos centros de inclusão digital no País.
Exposição
Antes da abertura do seminário, Aldo Rebelo inaugurou exposição do Instituto Centro de Ensino Tecnológico (Centec) do Ceará, instalada em uma tenda em frente ao Anexo II da Câmara. A mostra reúne trabalhos desenvolvidos pelo instituto, que atua na formação de técnicos pós-ensino médio e de tecnólogos de nível superior, em áreas como a agroindustrial e a ambiental.
Também participaram da cerimônia o ministro Sérgio Rezende, o secretário Rodrigo Rolemberg, o presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Erney Camargo, e os deputados Ariosto Holanda e Jader Barbalho.
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Reportagem - Luciana Mariz
Edição - Sandra Crespo
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