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Genu diz que Janene e Pedro Corrêa autorizaram seus saques

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Por: Agência Câmara
Data de Publicação: 22 de novembro de 2005
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O assessor da liderança do PP João Cláudio Genu declarou nesta terça-feira, no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar , que foi autorizado pelo presidente do partido, deputado Pedro Corrêa (PE), e pelo líder da bancada na Câmara, deputado José Janene (PR), a efetuar os saques no Banco Rural. Genu admitiu ter feito três saques, no valor total de R$ 700 mil, e isentou o ex-líder da bancada, deputado Pedro Henry (MT), de qualquer participação nas operações.

O esquema

Interrogado pelo relator do processo contra Pedro Henry, deputado Orlando Fantazzini (Psol-SP), Genu contou como o esquema funcionava: ele recebia telefonemas do contador nacional do PP, que conhecia apenas como Barbosa, pedindo-lhe o favor de fazer os saques. Em seguida, consultava Janene e Pedro Corrêa, e sob a orientação deles atendia ao pedido. O dinheiro era sempre entregue pela diretora-financeira da agência de publicidade SMPB, Simone Vasconcellos dentro de envelopes pardos lacrados, em uma pequena sala reservada da agência do Banco Rural em Brasília. E Genu entregava o dinheiro ao contador Barbosa, na sede do Diretório Nacional do PP, situada no 17º andar do Senado Federal.

Divergências sobre saques

A versão de Genu não coincide com a relação de saques apresentada pelo empresário Marcos Valério de Souza, apontado como o operador do esquema de "mensalão". Nessa lista estão registrados em nome de Genu saques no valor total de R$ 4,1 milhões. O assessor do PP garante que só sacou R$ 700 mil, em três saques, e que possui os recibos. Genu contou ainda que foi uma quarta vez ao Banco Rural, mas nessa oportunidade não chegou a efetuar o saque por não ter encontrado Simone Vasconcellos. O primeiro saque, disse Genu, foi feito em 17 de setembro de 2003.

O assessor disse que à época desconhecia a destinação do dinheiro sacado, mas depois percebeu que era para pagar os advogados do deputado Ronivon Santiago (PP-AC), que responde a processo por crime eleitoral. Segundo Genu, Ronivon costumava ir os gabinetes de Janene e Corrêa, "sempre aflito atrás do dinheiro". O depoente informou também que foi no gabinete de Janene que conheceu o empresário Marcos Valério, que esteve lá "três ou quatro vezes".

Genu entregou ao presidente do Conselho, deputado Ricardo Izar (PTB-SP), uma declaração escrita comprovando que entregou, no diretório nacional do partido, o valor total dos R$ 700 mil sacados.

Assessor desde 1999

Em resposta ao deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP), relator do processo por quebra de decoro parlamentar contra o deputado Pedro Corrêa, o assessor João Cláudio Genu informou que foi tesoureiro e secretário-geral dos diretórios municipal e estadual do PFL do Rio de Janeiro, entre 1999 e 2000, época em que trabalhava para o ex-deputado Rubem Medina (PFL-RJ).

E foi trabalhando com Medina que Genu conheceu o deputado José Janene, pois ele ocupava o gabinete vizinho. Medina perdeu a reeleição em 2002, e, no início de 2003, o assessor foi trabalhar para o deputado Reinaldo Betão (PL-RJ). A partir de agosto de 2003, passou a trabalhar com Janene, então presidente da Comissão de Minas e Energia. Mais tarde, no início de 2005, tornou-se chefe de gabinete da liderança do PP. Entre suas principais atribuições funcionais, Genu citou a elaboração de emendas parlamentares.

O deputado Chico Alencar (Psol-RJ) estranhou que Genu tenha sido encarregado de fazer os saques apenas um mês após ter sido admitido por Janene. "Afinal, tratava-se de uma delegação de altíssima confiança", disse o parlamentar carioca.

Leia mais:Corrêa reafirma que saques pagaram advogado de RonivonNotícias anteriores:Contradições marcam acareação entre acusados do 'mensalão'Pedro Corrêa admite que PP recebeu R$ 700 milGenu reafirma saques nas contas de Marcos ValérioPedro Henry alega falta de provas no Conselho de Ética

Reportagem - Luiz Claudio Pinheiro e Eduardo Tramarim

Edição - Regina Céli Assumpção

 

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