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Debatedores defendem desenvolvimento e inclusão social

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Por: Agência Câmara
Data de Publicação: 22 de novembro de 2005
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A necessidade de definição de um modelo de desenvolvimento econômico que combine o crescimento com a inclusão social foi consenso entre os participantes do painel "População, trabalho e cidadania", integrante do seminário sobre capacitação tecnológica da população promovido pela Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática, em conjunto com o Conselho de Altos Estudos e Avaliação Tecnológica da Câmara . O diretor-técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese), Clemente Ganz Lúcio, salientou que elevar o nível de educação da população sem que haja crescimento econômico "só criará desempregados mais bem qualificados".

O gerente da Unidade de Inovação e Acesso à Tecnologia do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), Paulo Resende Alvim, também apontou a necessidade de criar um modelo de desenvolvimento que gere "inclusão sócio-produtiva", isto é, com geração de renda e postos de trabalho. Segundo Alvim, o Sebrae enfrenta dois grandes desafios para construir esse modelo: gerar renda onde ela não existe e traçar estratégias de divulgação do conhecimento adequadas ao nível educacional da população.

O representante do Sebrae acredita que a aprovação da Lei Geral da Micro de Pequena Empresa criará condições mais favoráveis para os pequenos negócios. A Câmara tem comissão especial que analisou os 17 projetos de lei complementar que tramitam sobre o assunto. Deverá ser votado em breve o substitutivo elaborado pelo deputado Luiz Carlos Hauly (PSDB-PR).

Política de Estado

Ganz Lúcio destacou que o investimento em educação é prioritário, mas ponderou que qualquer política precisa ser desenvolvida em, no mínimo, duas décadas - uma política apenas de governo não é suficiente. O técnico defendeu a conexão entre as escolas técnicas, o "Sistema S" (composto de Senai, Sesi, Senac e Sesc), os programas de geração de renda do Ministério do Trabalho, o investimento em ciência e tecnologia e o ensino universitário, para aliar a educação tecnológica à geração de empregos e à qualificação dos trabalhadores.

Para o diretor do Dieese, só haverá uma alteração no panorama de inserção da população economicamente ativa no mercado de trabalho se três diretrizes forem obedecidas:

1) crescimento continuado da economia com foco na geração de postos de trabalho de baixa qualificação;

2) novos postos de trabalho gerados pelo crescimento econômico;

3) aliança entre investimento em todos os níveis educacionais e uma política de Estado que articule a educação tecnológica com outras esferas sociais e econômicas.

Desigualdades

A concentração, inclusive das iniciativas de ciência e tecnologia, foi destacada pelo presidente do Conselho de Altos Estudos e Avaliação Tecnológica da Câmara, deputado Inocêncio Oliveira (PL-PE). O parlamentar lembrou que 63% dos pesquisadores estão na Região Sudeste, enquanto o Nordeste tem menos de 12% dos cientistas brasileiros.

Na opinião do deputado, não é mais possível evitar o debate sobre o problema principal: a falta de recursos para pesquisa. Inocêncio reiterou o apelo para que sejam liberados recursos para o setor e criticou o contingenciamento das verbas do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT). "Não podemos mais ser um País de mitos; precisamos ser uma nação de metas", disse.

Concentração tecnológica

O diretor de Estudos Setoriais do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), João Alberto de Negri, também mostrou dados que confirmam a concentração econômica e tecnológica nas regiões Sul e Sudeste do país. Segundo pesquisa realizada pela entidade, 1/4 do faturamento industrial brasileiro está concentrado em empresas de alto conteúdo tecnológico. Dessas, mais de 60% estão localizadas em São Paulo.

Segundo o diretor do Ipea, é preciso que o Estado incentive uma estratégia industrial competitiva baseada na inovação tecnológica e na diferenciação dos produtos. O diretor afirmou ter a convicção de que, ao longo dos anos 90, "a indústria brasileira elevou seu padrão de competitividade com base em uma nova visão empresarial".

Segundo ele, os empresários das indústrias de alta tecnologia têm maior capacidade de mobilizar conhecimentos, isto é, reconhecem que a qualificação profissional da mão-de-obra é indispensável. O diretor do Ipea reivindicou ainda a definição de políticas públicas que "aumentem a eficiência produtiva e ampliem a inserção internacional dos segmentos de maior conteúdo tecnológico". De acordo com informações do Ipea, trabalhadores dessas empresas têm mais anos de estudos, melhores salários e permanecem mais tempo no emprego em comparação com os funcionários de empresas de menor conteúdo tecnológico.

Reportagem - Cristiane Bernardes

Edição - Sandra Crespo

 

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