A criação de um novo modelo econômico não é prioridade apenas para os setores econômicos urbanos. Durante o painel "População, trabalho e cidadania", os participantes defenderam o processo de desconcentração da produção no meio rural e a realização da reforma agrária. O assessor-técnico da Confederação das Cooperativas de Reforma Agrária do Brasil (Concrab) Pedro Christoffoli afirmou que "a tecnologia precisa ser pensada em função de uma estratégia de desenvolvimento".
Para ele, o Brasil sofreu um processo histórico de desenvolvimento econômico com exclusão social. Todas as estratégias de modernização da agricultura foram excludentes, concentradoras e criaram o problema do êxodo rural, ressaltou. "O nosso problema não é tecnológico, mas social", disse Christoffoli, ao defender a discussão sobre qual modelo de desenvolvimento o Brasil pretende adotar a partir de agora.
Como política excludente, o técnico da Concrab citou o exemplo da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), que, segundo ele, destina 92% dos seus recursos de pesquisas para as grandes propriedades e somente 8% para a agricultura familiar.
Agricultura familiar
Qualquer política de educação precisa levar em conta as necessidades do campo, reforçou o presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Agricultura (Contag), Manoel José dos Santos. Segundo ele não há no Brasil um planejamento para fortalecer o segmento da agricultura familiar. O sindicalista lembrou que, mesmo contando com quatro milhões de estabelecimentos, esse setor produtivo não é levado em consideração nas estratégias de desenvolvimento econômico. "Inexiste uma produção científica voltada para esse setor", disse Santos.
Manoel José dos Santos afirmou ainda que o sistema de assistência técnica aos produtores - centralizado pelo Instituto de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) - foi desmontado pelos governos estaduais. "A falta de tecnologia acaba gerando menor competitividade nas exportações", destacou. O presidente da Contag defendeu a aprovação de lei para fortalecer a cadeia produtiva agrícola e fazer com que a tecnologia ajude na distribuição de renda no campo.
Associativismo
O gerente da Unidade de Inovação e Acesso à Tecnologia do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), Paulo Resende Alvim, informou, ao final do debate, que a instituição pode ajudar no desenvolvimento de um novo modelo agrário para o Brasil. Segundo ele, não há antagonismo entre a lógica da cooperativa e da pequena empresa.
Tanto Alvim quanto o presidente da Contag afirmaram que a agricultura familiar não pode ficar restrita à produção de subsistência, mas precisa também levar em conta o mercado.
Reportagem -Cristiane Bernardes
Edição - Sandra Crespo
Link para a página original
0 pessoas comentaram a notícia "Agronegócio precisa de novo modelo, dizem técnicos"
Deixe o seu comentário
* Os textos publicados neste espaço são de responsabilidade única de seus autores e podem não expressar necessariamente a opinião do Direito 2.