Em depoimento nesta segunda-feira no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar , o deputado Roberto Brant (PFL-MG) se disse inocente e afirmou que abandonará a vida pública mesmo que o processo contra ele seja arquivado. Brant é acusado de ter recebido R$ 102,8 mil da SMPB, empresa de Marcos Valério de Sousa, apontado como o operador do suposto esquema conhecido como "mensalão".
Um dos coordenadores da campanha de Brant à prefeitura de Belo Horizonte no ano passado, Nestor Francisco de Oliveira sacou o dinheiro em uma agência do Banco Rural da capital mineira. As informações foram apuradas pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) dos Correios.
Doação
Diante do Conselho de Ética, Roberto Brant negou conhecer Marcos Valério e afirmou que a quantia recebida foi uma doação da empresa siderúrgica Usiminas, feita pelo seu presidente, Rinaldo Campos Soares. A SMPB, que detinha a conta da siderúrgica, teria sido apenas uma intermediária.
"Ele (Rinaldo Campos Soares ) ligou no meu celular e informou que ia fazer uma doação para minha campanha. Até me assustei, porque nunca havia recebido doações dessa empresa", contou Brant. Ele acredita que a oferta tenha sido feita porque o vice em sua candidatura à prefeitura de Belo Horizonte, José Lincoln de Magalhães, é funcionário da siderúrgica.
De acordo com Brant, Soares teria mencionado uma doação de R$ 150 mil. Alguns dias depois, segundo o parlamentar, o sócio de Marcos Valério na SMPB, Cristiano Paz, avisou ao comitê de campanha que o dinheiro estava disponível no banco.
A diferença entre a oferta e o que foi de fato sacado, informou Brant, deveu-se aos descontos de impostos e da comissão da agência. O deputado disse ainda que não havia razões para a SMPB fazer doações para ele. "Essa empresa é ligada ao Governo Lula e ao PT", afirmou.
Destino
Segundo Roberto Brant, o dinheiro recebido não foi usado na campanha. Sem esperanças de vencer, ele preferiu usar a quantia para pagar um programa do PFL mineiro veiculado antes da campanha eleitoral. Brant apresentou em sua defesa um recibo da empresa PMP, de Curitiba (PR), que, segundo ele, fez o programa do partido.
Na avaliação do relator do processo contra Brant no conselho, deputado Nelson Trad (PMDB-MS), porém, a nota fiscal apresentada é ambígua. O recibo, afirmou, contém exatamente a mesma quantia, com todos os centavos, que o coordenador da campanha recebeu da SMPB. Trad chamou a atenção também para o fato de que não houve prestação de contas sobre a doação, mesmo que tenha sido para o partido político e não para a campanha eleitoral.
Brant, que foi ministro da Previdência no Governo Fernando Henrique Cardoso, afirmou que está desiludido e que não renunciou ao mandato porque quer defender seu passado. "A minha maneira de protestar é ir embora. Eu quero defender o meu nome e depois servir ao País na iniciativa privada."
Relatório
O relator Nelson Trad informou que pretende apresentar seu relatório até o final do mês. Ele não quis adiantar se pedirá o arquivamento do processo ou a condenação do deputado.
Trad ainda pretende ouvir o depoimento de Rinaldo Campos Soares no conselho. O presidente da Usiminas já foi convidado uma vez, mas não compareceu. O conselho não tem poder de convocar testemunhas.
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Reportagem - Newton Araújo Jr. e Eduardo Tramarim
Edição - Noéli Nobre
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