Na primeira reunião do grupo de trabalho criado para debater o Projeto de Lei 5921/01, o coordenador de Relações Acadêmicas da Agência de Notícias dos Direitos da Infância (Andi), Guilherme Canelas, ressaltou que, em princípio, a ONG é favorável à proibição da publicidade direcionada a crianças e adolescentes - esses últimos não citados no projeto. Em sua opinião, o controle da proibição é muito mais fácil do que o da regulamentação, que envolve uma série de itens a serem observados. Ao regulamentar, destacou, é preciso especificar no projeto quem vai fiscalizar e quais serão as penalidades.
No entanto, ele defende que é necessário um substitutivo para detalhar a proposta do deputado Luiz Carlos Hauly, que, na sua avaliação, é muito enxuta. Para Canelas, é preciso dizer exatamente o que vai ser proibido e incluir argumentos mais convincentes na justificativa do projeto.
Preconceitos
No caso de partir para a regulamentação da propaganda para crianças e adolescentes, o coordenador de Relações Acadêmicas da Andi defende a importância de garantir a sua pluralidade. Ele citou os exemplos de etnia e de gênero. Hoje, assinalou, a maioria das bonecas que aparece nas propagandas é loira de olhos azuis, o que não reflete a realidade do País.
Canelas observou também que, no Brasil, muitas propagandas de brinquedos estimulam as meninas a só brincar com bonecas e os meninos, com carrinho e bola. "Nos países em que as questões de gênero são desenvolvidas, isso é um absurdo", afirmou. Ele ressaltou que, dessa forma, estabelece-se desde cedo uma divisão de tarefas em que cabe exclusivamente à mulher os cuidados com os filhos e a casa.
Reportagem - Luciana Mariz
Edição - Patricia Roedel
Link para a página original
0 pessoas comentaram a notícia "Andi defende proibição de propaganda para criança"
Deixe o seu comentário
* Os textos publicados neste espaço são de responsabilidade única de seus autores e podem não expressar necessariamente a opinião do Direito 2.