O relator da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) dos Correios, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), disse que a investigação sobre as movimentações financeiras do empresário Marcos Valério é dificultada pelo fato de o caixa e a contabilidade de suas empresas ainda estarem em aberto. A todo momento, destacou Serraglio, podem ser inseridos novos registros para justificar qualquer movimentação.
Serraglio citou o fato de os livros contábeis das agências de publicidade DNA e SMPB terem sido feitos completamente fora do prazo e depois que a CPMI começou suas investigações.
Pedido de prisão
As alterações em documentos e balanços que Valério estaria fazendo para atrapalhar as investigações da polícia e da CPMI levaram Serraglio a pedir ontem a prisão do empresário. O procurador-geral da República, Antonio Fernando Souza, porém, afirmou que o inquérito não tem elementos suficientes que justifiquem o pedido de prisão.
O relator-adjunto da CPMI, deputado Eduardo Paes (PSDB-RJ), vê com desconfiança a reação do procurador-geral. "Pela pressa com que ele respondeu, parece que já havia uma opinião prévia, uma ordem para não prender ninguém", disse.
Paes, que esteve presente em reunião da CPMI com a Polícia Federal, disse que o delegado Luiz Flávio Zampronha afirmou já ter elementos para pedir a prisão de Valério e do ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares.
Laudo pericial
Já Osmar Serraglio citou os dados do laudo pericial solicitado pela CPMI ao Instituto de Criminalística sobre os registros contábeis e movimentações financeiras das empresas de Valério. "Não creio que o procurador-geral da República tenha lido o documento", apontou.
O laudo, entregue em 29 de novembro, afirma que tanto a Polícia Federal quanto a CPMI estão tendo dificuldades para rastrear a origem e o destino dos recursos, e atribui essa dificuldade a constantes alterações na documentação e registros contábeis. "As análises e os resultados periciais futuros podem ser afetados de maneira que a verdade não transpareça", diz o documento.
Notícia em jornal
O presidente da CPMI dos Correios, senador Delcidio Amaral (PT-MS), ponderou que é necessário evitar disputas com o Poder Judiciário, mas não deixou de criticar o procurador-geral da República. "O procurador só pode emitir qualquer opinião quando instado oficialmente e quando de posse de informações que acredito faltar ao Ministério Público, dada a complexidade e a amplitude da CPMI dos Correios."
Ao recusar o pedido de prisão de Marcos Valério, o procurador-geral da República afirmou que prender por prender provocaria um clima ruim para o andamento do inquérito e daria apenas notícia em jornal.
Reportagem - Marcello Larcher e Mônica Montenegro
Edição - Regina Céli Assumpção
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