A expansão do sistema de vigilância epidemiológica da gripe aviária, o investimento para a produção nacional de vacinas e a aquisição de estoque estratégico de antivirais são as principais medidas que vêm sendo adotadas pelo Ministério da Saúde para enfrentar uma eventual pandemia da doença. A informação foi divulgada pelo ministro da Saúde, Saraiva Felipe, e pelo secretário de Vigilância em Saúde do ministério, Jarbas Barbosa, durante audiência pública sobre a gripe aviária realizada na manhã desta quinta-feira na Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural.
O ministro garantiu que não há motivos para a população se alarmar, nem para deixar de consumir carne de frango.
Vacina e tratamento
O ministério fortaleceu a pesquisa em 46 postos de saúde e hospitais sobre os focos de gripes no País, para criar um banco de dados confiável sobre os tipos de vírus que têm infectado a população. O governo também fecha acordos com laboratórios para passar a produzir nacionalmente remédios e vacinas.
Jarbas Barbosa informou que o Ministério da Saúde repassou R$ 3,1 milhões para equipar uma instalação no Instituto Butantan, do Estado de São Paulo, que estará pronta para essa fabricação de vacinas já no início do próximo ano.
Saraiva Felipe observou, no entanto, que não é possível antecipar a produção já que a transmissão do vírus entre pessoas pode se dar a partir de sua alteração genética, o que exigiria um novo medicamento.
O Ministério da Saúde também acertou a compra de 91 milhões de doses do antiviral Tamiflu, o que possibilita a realização de 9,1 milhões de tratamentos. Para isso, serão investidos R$ 193 milhões. Jarbas Barbosa afirmou que o Tamiflur, utilizado para qualquer subtipo do vírus da gripe, demonstrou boa capacidade tanto no tratamento quanto no bloqueio da gripe aviária. Segundo o ministro, o Brasil será o único país na América do Sul que terá estoque do medicamento.
Vanguarda
A audiência foi proposta pelos deputados Ronaldo Caiado (PFL-GO), Moacir Micheletto (PMDB-PR) e Zonta (PP-SC), que queriam esclarecimentos sobre as providências que estão sendo tomadas para evitar que a gripe aviária chegue ao Brasil. Jarbas Barbosa lembrou que o Plano Brasileiro de Preparação para a Pandemia de Gripe começou a ser elaborado em dezembro de 2003. Em outubro deste ano, foi criado um grupo de trabalho interministerial, coordenado pelo Ministério da Saúde, para a sua execução de forma integrada. "Esse plano nos coloca em posição de vanguarda em relação a providências tomadas diante da possibilidade de chegada do vírus ao País e de transmissão entre pessoas, o que ainda não ocorreu", disse Saraiva Felipe.
Recursos
O ministro observou que a primeira questão colocada pelo grupo interministerial encarregado de executar o plano foi a necessidade de recursos para o desenvolvimento das ações. Na sua visão, a descoberta recente do foco de febre aftosa no Mato Grosso do Sul acendeu uma "luz vermelha", que pode ter sido decisiva, por exemplo, para a destinação de R$ 28 milhões à ativação de laboratórios veterinários.
A declaração do ministro foi uma resposta à crítica feita por Ronaldo Caiado. "A destinação orçamentária do Ministério da Agricultura para o controle sanitário de aves no Brasil é de R$ 1 milhão e pode ser ampliada para R$ 5 milhões, sendo que o setor é responsável por 3,4 bilhões de dólares somente na exportação", lamentou o deputado. Caiado atribuiu à insuficiência de recursos para o controle sanitário os novos casos de febre aftosa no País, "comprometendo um dos setores mais importantes da economia".
Os deputados da Comissão de Agricultura cobraram do ministro um plano de prevenção específico para o campo, para aqueles que poderiam ser os primeiros infectados na possível chegada da doença ao Brasil: os milhares de produtores de frango que fazem do País o maior exportador desse produto no mundo.
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Reportagem - Luciana Mariz e Carolina Nogueira
Edição - Regina Céli Assumpção
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