O ministro da Saúde, Saraiva Felipe, afirmou nesta quinta-feira aos deputados da Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural que não há como saber se haverá uma pandemia de gripe aviária e se ela chegará ao Brasil. O secretário de Vigilância em Saúde do ministério, Jarbas Barbosa, explicou que os especialistas também não sabem medir a extensão do problema, caso ele ocorra. "Para se ter uma idéia, o melhor órgão de vigilância do mundo, que é o CDC de Atlanta, Estados Unidos, que foi quem desenhou o primeiro modelo matemático, afirma em sua homepage que a previsão de necessidade de leitos varia de 2% a 20% dos casos. Ou seja, tem uma margem de erro de dez vezes."
Indenização
O ministro lembra que, por enquanto, a doença só é adquirida por meio do contato com aves contaminadas, e nenhum caso foi detectado no Brasil. Saraiva Felipe explicou que o desafio agora é fazer com que o Plano Brasileiro de Preparação para a Pandemia de Gripe chegue aos municípios, que devem apontar um responsável por prestar informações epidemiológicas locais para que, se for o caso, se possa fazer a detecção precoce da gripe aviária.
Para que as pessoas comuniquem qualquer caso, o ministro acredita que será necessário indenizar os produtores que precisarem, por exemplo, eliminar uma criação de frangos. "As experiências internacionais mostram que, se não houver a segurança da indenização, o alerta precoce não vai acontecer. O produtor, mesmo tendo conhecimento dos sintomas da gripe aviária, dificilmente fará uma comunicação precoce se não tiver a segurança do extermínio com a garantia da indenização."
Consumo de frango
O secretário Jarbas Barbosa garantiu, na audiência, que não há risco no consumo de frango. Uma pesquisa do Ministério da Saúde mostrou que quase 40% das pessoas ouvidas estavam com receio de comer frango após as notícias de gripe aviária.
Caso a gripe aviária chegue ao continente americano, Barbosa acredita que ela chegará pelo Canadá ou pelos Estados Unidos, que têm mais circuitos de aves migratórias. Neste caso, a gripe poderá ser detida por lá mesmo, dado os recursos que esses países têm. Os casos que surgiram na Colômbia não eram do mesmo tipo e não tinham o mesmo perigo dos que estão preocupando as autoridades no mundo todo.
Reportagem - Sílvia Mugnatto e Luciana Mariz
Edição - Regina Céli Assumpção
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