Sete ou oito processos disciplinares contra deputados deverão estar prontos para votação no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar quando o Congresso retomar seus trabalhos, no dia 15 de fevereiro, ainda que o conselho não funcione em janeiro. A previsão é do presidente do órgão, Ricardo Izar (PTB-SP).
O deputado informou ter pedido um estudo à Consultoria Legislativa da Câmara para saber se um possível trabalho do conselho durante o recesso poderia prejudicar o direito de defesa dos parlamentares investigados. "Não adianta trabalharmos se amanhã os representados entrarem na Mesa Diretora da Câmara ou na Comissão de Constituição e Justiça pedindo a nulidade desse trabalho."
Transporte de dinheiro
Nesta quinta-feira, o Conselho de Ética ouviu o ex-tesoureiro do PL Jacinto Lamas, testemunha no processo disciplinar contra o deputado Wanderval Santos (PL-SP), cujo relator é o deputado Chico Alencar (Psol-RJ). Wanderval é acusado de ter mandado seu motorista Célio Marcos Siqueira sacar R$ 150 mil das contas da agência SMPB, do empresário Marcos Valério Fernandes de Souza.
Lamas reafirmou sua versão de que transportou dinheiro do "valerioduto" para o presidente do PL, ex-deputado Valdemar da Costa Neto. Segundo o depoente, os recursos foram retirados diretamente na SMPB em suas viagens a Belo Horizonte, como também sacados das contas de Marcos Valério na agência do Banco Rural em Brasília, no período entre fevereiro de 2003 e início de 2004.
As quantias vão de R$ 6,5 milhões, segundo Costa Neto, a R$ 10 milhões, na versão de Marcos Valério. Lamas reiterou que nunca viu o dinheiro, já que vinha sempre em envelopes lacrados.
Acordo com Delúbio
Jacinto Lamas afirmou ter ouvido de Costa Neto que os recursos faziam parte de um acordo pessoal dele com o então tesoureiro do PT Delúbio Soares. O dinheiro serviria para cobrir despesas eleitorais da campanha municipal de 2002. "Eu acreditava no que ele me dizia, não tinha porque discutir a determinação dele", relatou. "Faria tudo de novo, porque nada indicava que fosse ilegal."
O depoente disse ainda que o ex-deputado Carlos Rodrigues exercia controle sobre outros parlamentares do PL ligados à Igreja Universal do Reino de Deus, entre eles Wanderval Santos. Em sua defesa, o deputado explicou que seu motorista sacou o dinheiro da SMPB atendendo a pedido de Rodrigues, que renunciou ao mandato em razão das denúncias do "mensalão".
Lamas contou ao Conselho de Ética que Carlos Rodrigues teria convencido o deputado Oliveira Filho (PL-PR) a ceder uma eleição segura para a Mesa Diretora da Câmara ao atual 4º secretário, deputado João Caldas (PL-AL).
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Reportagem - Eduardo Tramarim
Edição - Rejane Oliveira
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