Em depoimento no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar como testemunha do processo contra o deputado Wanderval Santos (PL-SP), o ex-tesoureiro do PL Jacinto Lamas destacou a coordenação firme do ex-deputado Carlos Rodrigues sobre cinco a sete deputados do partido que pertenciam à Igreja Universal do Reino de Deus, entre eles o próprio Wanderval Santos. Em sua defesa, o deputado explicou que seu motorista sacou R$ 150 mil da conta da agência de publicidade SMPB atendendo a pedido de Carlos Rodrigues, que renunciou a seu mandato em razão das denúncias do "mensalão".
Banco Rural
Lamas reafirmou as informações de depoimentos anteriores, de que pegava dinheiro no Banco Rural das contas do empresário Marcos Valério Fernandes de Souza e passava diretamente para o presidente do partido, o ex-deputado Valdemar da Costa Neto. Ele explicou que o dinheiro era referente a acordo entre Costa Neto e o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares para cobrir despesas da campanha de 2002 à Presidência da República.
As quantias vão de R$ 6,5 milhões, segundo Costa Neto, a R$ 10 milhões, na versão de Marcos Valério. Lamas reiterou que nunca viu o dinheiro, já que vinha sempre em envelopes lacrados.
O tesoureiro do PL de 1989 a 2005 destacou que apenas cumpriu ordens. "Faria tudo de novo, porque nada indicava que fosse ilegal. Não sei como poderia fazer diferente", comentou. Lamas afirmou que mantém contato com Costa Neto. "Não houve aproximação ou afastamento depois desse episódio", observou.
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Reportagem - Newton Araújo Jr.
Edição - Francisco Brandão
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