Os participantes do lançamento do programa Acelera Amazônia: Ciência na Amazônia para o Brasil ressaltaram a importância das universidades para a promoção da pesquisa sobre biodiversidade e do desenvolvimento sustentável. "Se a Amazônia é estratégica para o Brasil, as universidades também deveriam ser vistas como estratégicas para a produção de conhecimento", afirmou o reitor da Universidade Federal de Roraima, Roberto Ramos Santos, um dos líderes do movimento em defesa das instituições de ensino superior da região Norte.
O lançamento do programa contou com a presença do diretor da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), José Fernandes de Lima; e do vice-presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Manuel Domingos Neto.
Desenvolvimento sustentável
Na abertura do evento, a presidente da Comissão da Amazônia, Integração Nacional e de Desenvolvimento Regional, deputada Maria Helena (PSB-RR), ressaltou que a pesquisa científica é fundamental para a construção do conhecimento e a promoção do desenvolvimento sustentável. "Precisamos apoiar todas as iniciativas que têm como objetivo a geração e a difusão de conhecimento sobre e na Amazônia, visto que as universidades têm um papel central nesse processo". Ao se referir ao programa, a deputada disse ainda que se trata de um "autêntico projeto nacional de desenvolvimento", cujo legado principal será a criação de um modelo integrado e cooperativo de pós-graduação voltado para a investigação da realidade amazônica.
Recursos no orçamento
Durante o debate, os deputados presentes também manifestaram seu apoio à iniciativa e defenderam a ampliação dos recursos federais para ciência, tecnologia e inovação nas universidades da Amazônia. O deputado Henrique Afonso (PT-AC) sugeriu à comissão que apresente emenda ao Orçamento da União de 2006 para fortalecer os cursos de pós-graduação e os programas institucionais de pesquisa.
A reforma universitária também foi apontada pelo parlamentar como instrumento para fortalecer os cursos de pós-graduação e a pesquisa nas universidades da Amazônia.
A deputada Marinha Raupp (PMDB-RO) destacou a necessidade de maior integração entre as universidades regionais, para melhorar a infra-estrutura e a qualificação dos professores.
Investimentos
Os representantes da Capes e do CNPq reforçaram a intenção de trabalhar em conjunto para a obtenção de mais recursos para pesquisa científica e para a pós-graduação na Amazônia. O diretor da Capes, José Fernandes de Lima, defendeu o aumento de bolsas de pós-graduação para áreas específicas da região, como agronomia, veterinária, engenharia florestal, engenharia de pesca e gestão ambiental. Ele informou que a Capes já estuda novos programas de investimentos para as universidades da Amazônia.
O vice-diretor do CNPq, Manuel Domingos Neto, sugeriu convênios e parcerias entre a União e os estados. "É necessário envolver as fundações estaduais de amparo à pesquisa, pois elas devem assumir papel estratégico nesse processo, como já ocorre no Sul e Sudeste", explicou.
Conhecimento regional
O lançamento do programa foi saudado por todos os presentes como um marco na redefinição da geografia da comunidade científica no Brasil, atualmente concentrada nas regiões Sudeste e Sul. "Finalmente a Capes percebeu a necessidade de valorizar o conhecimento regional e as universidades que estão fora do eixo hegemônico", registrou o vice-reitor da Universidade Federal de Rondônia, José Januário Amaral. Ele lamentou que no passado houvesse boicote institucionalizado das agências federais de fomento às universidades do Norte e ostensiva valorização das instituições do eixo Sul-Sudeste. "A Capes sabotava os projetos de pesquisa e as propostas de implantação de cursos de pós-graduação na Amazônia", desabafou.
Saiba mais sobre o programa Acelera Amazônia
Reportagem - Antônio Barros
Edição - Regina Céli Assumpção
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