Em depoimento na CPMI dos Correios, o ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil Henrique Pizzolato disse que o ex-ministro de Comunicação Institucional e Gestão Estratégica Luiz Gushiken o orientou a assinar a nota técnica que, em março de 2003, autorizou a concentração dos repasses de recursos publicitários da Visanet para a agência DNA, de Marcos Valério Fernandes de Sousa. "Gushiken era a última instância decisória. Ele disse: assina, não tem nada de inconveniente", afirmou Pizzolato, em resposta ao deputado Jorge Bittar (PT-RJ).
Diante da insistência do sub-relator de Contratos da comissão, deputado José Eduardo Cardoso (PT-SP), Pizzolato reconheceu que não via razão nenhuma para o pagamento antecipado às agências de publicidade. Como outras duas agências (D+ e Lowe) também atendiam a Visanet e reclamavam de atrasos nos repasses dos recursos, as antecipações às três agências passaram a acontecer em 2001, mas só a partir de 2003 foram concentradas na DNA.
De acordo com documentos obtidos pela CPMI, em 2001, o Banco do Brasil repassou R$ 24,7 milhões da Visanet para as agências, dos quais R$ 12 milhões foram para a DNA. Em 2002, foram repassados R$ 26,5 milhões, cabendo R$ 4 milhões à DNA. Em 2003, o repasse foi de R$ 29,7 milhões e, em 2004, de R$ 44 milhões, ambas as quantias concentradas na DNA.
Troca de favores
Segundo José Eduardo Cardozo, tudo leva a crer que Pizzolato favoreceu a DNA e, em troca, foi beneficiado por Marcos Valério, o suposto operador do "mensalão". O ex-diretor é acusado de ter sacado R$ 326 mil das contas do empresário.
Pizzolato citou o nome de três diretores do Banco do Brasil que teriam assinado a autorização para as antecipações junto com ele: o vice-presidente de Varejo, Fernando Barbosa; o gerente de Cartões de Crédito, Douglas Macedo; e o gerente de Propaganda, Cláudio Vasconcelos. Mais de 30% das ações da Visanet estão em posse do Banco do Brasil.
O depoente também informou que o Banco do Brasil tinha três conselheiros na Visanet: o então presidente Cássio Casseb e os diretores Fernando Barbosa e Edson Monteiro. "Se a Visa não tivesse aceito, a antecipação não teria sido realizada", acrescentou. Em sua defesa, Pizzolato argumentou ainda que não tinha acesso ao fluxo de repasses da Visanet, cabendo à diretoria de Marketing a fiscalização e acompanhamento dos contratos de publicidade.
Arrecadação de recursos
Pizzolato negou que tenha usado o cargo no Banco do Brasil para arrecadar recursos para o Partido dos Trabalhadores. "Fui acusado de repasse de recursos, coisa que nunca permitiria", afirmou. Ele contou que foi procurado pelo PT quando era conselheiro da Previ (fundo de pensão do BB), mas que, na ocasião, respondeu que era concursado e que não tinha mandato partidário na instituição.
"Não me considero um traidor do PT. Diria isso olhando nos olhos de Lula", disse Pizzolato, ao afirmar ter sido um inocente útil. "Tudo indica que fui usado", respondeu, quando questionado pelo deputado Antônio Carlos Pannunzio (PSDB-SP). "Estou sendo linchado sem comprovação. Prefiro ser torturado num pau-de-arara a ter de passar por isso", desabafou.
Convocações
Nesta quarta-feira, a CPMI aprovou requerimentos apresentados pelo sub-relator de Fundos de Pensão, deputado Antonio Carlos Magalhães Neto (PFL-BA), que convocam 61 pessoas envolvidas em perdas financeiras identificadas pela comissão na contabilidade dos fundos.
Entre os convocados estão diretores financeiros dos fundos, sócios de corretoras que operaram recursos das instituições de previdência e alguns beneficiários já identificados.
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Reportagem - Newton Araújo Jr.
Edição - Rejane Oliveira
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