O presidente da Frente Parlamentar em Defesa da Vida, deputado Luiz Bassuma (PT-BA), propôs, ao final do 1º Seminário em Defesa da Vida - Contra o Aborto, realizado nesta quarta-feira, que sejam criados comitês municipais para organizar um abaixo-assinado nacional contra o aborto. Segundo Bassuma, o documento deverá ser entregue no próximo ano ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Estratégias de ação
O deputado Nazareno Fonteles (PT-PI) sugeriu a distribuição de panfletos e cartas nas igrejas e escolas para multiplicar o movimento contra o aborto.
Já o deputado Adelor Vieira (PMDB-SC) propôs que a frente parlamentar produza cartilha para ser distribuída à sociedade. A publicação, segundo ele, deverá conter a definição de aborto, o número de abortos no mundo, o apelo à vida e as razões para não se interromper a gravidez. Ele também admite a possibilidade de um plebiscito sobre o assunto.
A divulgação, nas emissoras de rádio e TV católicas e evangélicas, de material a favor da vida, "inclusive pedindo ao eleitor que não vote em deputado favorável ao aborto", foi defendida pelo deputado Salvador Zimbaldi (PSB-SP).
O deputado Elimar Máximo Damasceno (Prona-SP) advertiu que o trabalho dos parlamentares contrários ao aborto não basta para impedir a aprovação da proposta. Ele sustentou ser necessária a mobilização das pessoas.
Apelo ao Congresso
O presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Geraldo Magela, pediu ao Congresso Nacional que não vote nenhum projeto contrário ao direito à vida. "Peço a Deus que ilumine nossos legisladores para que se conscientizem da gravíssima obrigação de lutar pela vida", afirmou.
Já o presidente da Federação Espírita Brasileira, Nestor João Masoti, afirmou que o aborto é uma modalidade a mais de violência. "Construir uma sociedade de paz depende do respeito a um ser que já existe desde a concepção", declarou.
Para o teólogo frei Antônio Moser, "ninguém foi gerado por acaso". O religioso lembrou que Jesus Cristo afirmava que todos os seres humanos "foram enviados" a este mundo.
Código Penal
O representante das igrejas evangélicas, Rubens Tavares, disse que a interrupção da gravidez é "assassinato" e, por essa razão, crime contra a vida e passível de júri popular. Tavares lembrou que o Código Penal (Decreto-Lei 2848/40) prevê como exceções apenas os casos de estupro e risco de morte da mãe. "Hoje estão querendo banalizar a vida", ressaltou o palestrante.
O psicólogo e representante do Movimento Espírita Adenáuer Novaes, por sua vez, afirmou que a realização de um aborto causa culpa e sofrimento. A culpa, segundo ele, atrai doenças como o câncer, "nesta ou em outra encarnação". Já o sofrimento, completou, serve para o indivíduo aprender a respeitar a vida. "O espiritismo condena veementemente o aborto", sustentou Novaes.
O presidente da Frente Parlamentar Evangélica, deputado Adelor Vieira (PMDB-SC), comemorou a união de várias correntes religiosas contra a legalização do aborto. Para ele, não são apenas os religiosos que se opõem à medida, mas também juristas, médicos, cientistas e economistas, entre outros.
Na próxima semana, segundo o deputado Durval Orlato (PT-SP), os organizadores do seminário divulgarão a Carta de Brasília contra o Aborto.
Reportagem - Oscar Telles e Edvaldo Fernandes
Edição - Rejane Oliveira
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