A adoção da tecnologia de coleta de esgoto a vácuo é uma alternativa a ser considerada na implantação do sistema nacional de saneamento básico. Essa é a principal conclusão da audiência promovida hoje pela Comissão de Desenvolvimento Urbano para subsidiar o debate sobre o marco regulatório da política nacional de saneamento (PL 5296/05 e PL 1144/03).
A tecnologia, desenvolvida nos Estados Unidos, é indicada em áreas onde o sistema convencional (por gravidade) é de difícil utilização, seja por falta de declive do terreno, por ser rochoso ou por ter o nível de lençol freático muito alto (como em lagos ou comunidades costeiras).
Vantagens
Entre as vantagens apresentadas pelo representante da empresa que desenvolveu o projeto, Morten Kalleberg Breiby, estão:
- o baixo nível das valas - 80 cm contra 1,5 m do sistema convencional -, que normalmente representam 60% do custo total da obra de esgoto;
- a rapidez na instalação - de 100 a 150 metros/dia, em média 10 vezes mais rápida que o sistema convencional;
- a dispensa da necessidade de poços de visita;
- a facilidade de fazer desvios;
- a viabilidade de fazer a instalação acima do lençol freático.
Embora já seja adotado em várias cidades dos EUA e da Europa, no Brasil o sistema só foi experimentado na cidade de Paranaguá (PR) e em alguns projetos isolados em Santa Catarina. A pouca experiência no Brasil com a nova tecnologia foi apontada pelo diretor do Departamento de Engenharia da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), José Raimundo Machado, como motivo de cautela por parte do governo. Ele ressaltou, no entanto, que não existe prevenção por parte da Funasa quanto à adoção de novas tecnologias no saneamento ambiental.
R$ 178 bi até 2020
O diretor do Departamento de Água e Esgoto do Ministério das Cidades, Cezar Eduardo Scherer, disse que o governo incentiva a adoção de novas tecnologias que possam reduzir o custo de implantação ou de operação dos sistemas de saneamento. Segundo Scherer, para universalizar o saneamento básico, o País terá de investir R$ 178 bilhões até o ano 2.020, o que representa 0,5% do PIB por ano.
Aliado
O deputado Pedro Fernandes (PTB-MA) elogiou a menção que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez hoje, em entrevista a emissoras de rádio, sobre a importância do saneamento. Para Fernandes, ao reconhecer publicamente que cada R$ 1 investido em saneamento representará R$ 4 a menos em gastos com saúde, Lula passou a ser um importante aliado daqueles que defendem prioridade para o saneamento no País.
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Reportagem - Cid Queiroz
Edição - Regina Céli Assumpção
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