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Procurador diz que acordo de fundos com Citigroup é ilegal

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Por: Agência Câmara
Data de Publicação: 6 de dezembro de 2005
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O acordo que prevê a compra das ações do Citigroup na Brasil Telecom, pelos fundos de pensão Previ (do Banco do Brasil), Funcef (da Caixa Econômica Federal) e Petros (da Petrobras), violou a legislação. A advertência foi feita nesta terça-feira pelo procurador-geral do Ministério Público Federal no Tribunal de Contas da União (TCU), Lucas Furtado. Em audiência pública na Comissão de Finanças e Tributação, o procurador observou que, pelo artigo 29 da Lei Complementar 108/01, o acordo deveria ter autorização prévia e expressa da controladora (a União) e dos patrocinadores dos fundos de pensão (Banco do Brasil, Caixa Econômica e Petrobrás).

O representante do Ministério Público classificou de "negociação arriscada" o documento que prevê a operação, assinado em março deste ano. Para Furtado, o acordo foi mais vantajoso para o Citigroup, mas também favoreceu os fundos de pensão ao lhes garantir o controle acionário da Brasil Telecom. Juntos, os fundos e o Citi têm aproximadamente 91% das ações da empresa, ficando os 9% restantes nas mãos do CVC Opportunity, do banqueiro Daniel Dantas.

Para garantir o controle acionário, o acordo, denominado "put", obriga os fundos de pensão a comprar as ações do Citigroup por pouco mais de R$ 1,3 bilhão, 240% acima do preço de mercado, de R$ 350 milhões. Furtado explicou que a compra será obrigatória se, até outubro de 2007, um outro interessado não adquirir as ações do grupo norte-americano.

Competência limitada

O parecer do procurador, contrário ao acordo, serviu de base para que o TCU adotasse medida cautelar impedindo a execução, diante da possibilidade de prejuízos para o Tesouro da União. O problema, segundo Furtado, é que o tribunal tem competência limitada para atuar na questão, pois os fundos de pensão são entidades de direito privado. Desse modo, o TCU agiu sobre as empresas patrocinadoras e não diretamente sobre os fundos.

A decisão sobre o acordo ainda não é final, pois o órgão de fiscalização não julgou a causa em plenário. "A competência do TCU está posta em questão", enfatizou o procurador. Segundo Furtado, esta é a primeira vez que o tribunal fiscaliza a atuação dos fundos de pensão.

Em resposta ao deputado Nelson Bornier (PMDB-RJ), que solicitou a audiência pública, o procurador reconheceu que o órgão não conta com o pessoal necessário para exercer essa fiscalização. Segundo Furtado, faltam condições também às outras instituições que deveriam fiscalizar os fundos: a Secretaria de Previdência Complementar, a Comissão de Valores Mobiliários e o Conselho de Atividades Financeiras (Coaf). "Essa fiscalização fragmentária dos fundos de pensão não interessa a ninguém e dá a oportunidade de que haja operações suspeitas", criticou.

Desvalorização das ações

O deputado Delfim Netto (PMDB-SP) observou que a disputa comercial reduz o valor das ações da Brasil Telecom, já que aumenta a incerteza do mercado sobre a operadora de telefonia. Furtado lembrou que os fundos de pensão têm quase 20% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional, ou R$ 280 bilhões, aplicado no mercado de ações. "Para onde os fundos forem, o mercado vai", comentou.

Mesmo assim, o procurador reconheceu que é necessária uma solução rápida para a pendência judicial, que se arrasta por inúmeras ações, até mesmo no Superior Tribunal de Justiça.

Já o deputado Eliseu Padilha (PMDB-RS) argumentou que houve irregularidades na participação dos fundos de pensão na Brasil Telecom desde o início. De acordo com o parlamentar, os fundos compraram mais de 25% das ações da empresa, quando o edital de privatização impunha esse percentual como limite.

Padilha lembrou que, caso a compra da participação societária do Citigroup se concretize, os fundos de pensão ficarão com 91% das ações. "O acordo permite a reestatização da Brasil Telecom", alertou.

Interesses dos acionistas

Único parlamentar presente a defender o acordo, o deputado Ricardo Berzoini (PT-SP) disse acreditar que não haverá prejuízos para os fundos de pensão. "A gestão anterior, do Opportunity, contrariava os interesses dos acionistas. Ao fazer o acordo com o Citigroup, os fundos se livraram da manipulação do governo passado, que defendia os privilégios do banqueiro Daniel Dantas", declarou.

Para Berzoini, a ação do Ministério Público é meritória e bem intencionada, mas se restringe à defesa apenas do que seria juridicamente legal, sem levar em conta os interesses políticos que envolvem o acordo de compra das ações da Brasil Telecom. Furtado disse que vai considerar todas as posições dos parlamentares no julgamento do mérito da questão.

Conheça a polêmica sobre o controle da Brasil TelecomNotícias anteriores:Citigroup nega vantagem em venda de ações para fundosDantas acusa governo de intervir em fundos de pensãoGushiken admite relacionamento com fundos, não influênciaAnatel vai analisar acordo bilionário da Brasil Telecom

Reportagem - Newton Araújo Jr.

Edição - Francisco Brandão

 

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