A bancada do PT promete contestar em janeiro o texto em que o relator da CPMI dos Correios, deputado Osmar Serraglio (PMDB), confirma o pagamento de "mensalão" a parlamentares em troca de apoio a projetos do governo. Segundo o deputado Carlos Abicalil (PT-MT), a bancada também apontará omissões no texto, como a falta de referências a operações de caixa 2 praticadas em governos anteriores.
"O relator não dissecou o funcionamento do 'valerioduto' desde sua origem, que não é em 2003", afirma Abicalil. "Além disso, ao definir os destinatários dos R$ 54 milhões disponibilizados pelas empresas de Marcos Valério a partidos políticos, o relator omite a participação do próprio partido dele (PMDB) - que, inclusive, originou a renúncia do antigo líder José Borba."
Outra omissão apontada pelo PT refere-se a empréstimos não contabilizados feitos por Marcos Valério ao PSDB de Minas Gerais na campanha de 1998.
Texto é parcial
Osmar Serraglio se defende afirmando que o balanço que apresentou neste mês é parcial. Ele garantiu que o relatório final, que ainda nem começou a ser escrito, incluirá os pontos considerados omissos. "Tudo o que tivermos sobre o episódio de Minas estará no relatório, doa a quem doer. O PMDB também aparecerá. É bom lembrar que eu coloquei o nome de nosso líder na lista de beneficiários do esquema."
Serraglio explica que o texto parcial não incluiu todos os fatos apurados pela CPMI porque pretendeu apresentar um modelo padronizado de conduta. "São atos que foram se repetindo, e no PMDB não se verificou continuidade de comportamento. Essa continuidade foi identificada não por mim, mas por um sistema de informática. Se tivesse aparecido o PMDB, não tenha dúvida que eu teria colocado."
Votação em fevereiro
Apesar do temor de que essas divergências inviabilizem a conclusão dos trabalhos da CPMI, tanto Abicalil quanto Serraglio acreditam que o relatório final poderá ser votado no final de fevereiro. Logo que concluir o esboço do texto, Serraglio pretende discuti-lo com parlamentares do governo e da oposição para identificar possíveis falhas.
Carlos Abicalil afirma que a presença de dois relatores adjuntos, um do PSDB e outro do PT, vai colaborar para o equilíbrio no tratamento dos temas investigados.
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Reportagem - Mônica Montenegro
Edição - Rejane Oliveira
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