O ex-chefe do Departamento de Contratação e Administração de Material dos Correios Adauto Tameirão Machado, afirmou ontem, em depoimento na Sub-Relatoria de Contratos da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) dos Correios, que desconhece eventuais "acertos" ou outras relações ilícitas da estatal com empresários.
Machado exerceu o cargo entre maio de 2001 e junho de 2004 e antecedeu Maurício Marinho, que foi flagrado recebendo R$ 3 mil em propinas. Ele se defendeu das acusações do sucessor de que também teria recebido suborno da Novadata e da Positivo - empresas de computadores que tinha um dos maiores contratos nos Correios na época -, para não aplicar multas.
Machado também negou a acusação de ter recebido do empresário Artur Wascheck propina para reduzir multas e aceitar cofres defeituosos, numa compra para a abertura das agências do banco postal. "Pelo contrário, até o fim da minha gestão, todas as multas foram aplicadas. A partir da entrada do senhor Maurício Marinho, nenhuma multa foi aplicada", alegou. Segundo o depoente, a Comercial Alvorada de Manufaturados (Comam), empresa de Wascheck, foi multada em R$ 1 milhão em sua gestão.
Contratos
Embora tenha admitido que é corrente na empresa a idéia de que os diretores são indicados para seus cargos por políticos, Machado disse que chegou à chefia sem essa indicação. Atualmente ele é administrador postal, cargo inicial da carreira da estatal.
Para ele, a única contribuição efetiva de Maurício Marinho em depoimento à CPMI foram suas críticas ao processo de tomada de preço. As estatais e órgão públicos atualmente consultam fornecedores para saber quais os preços praticados pelo mercado. "Qual o comprometimento de um fornecedor em dizer a verdade? Antes da licitação, ele infla o preço durante a tomada de preço. Na hora de apresentar as propostas oficiais, passa a dizer que seu preço é mais baixo para obter o contrato", explicou.
Agenda
Os trabalhos da Sub-Relatoria de Contratos serão retomados na próxima terça-feira (3), quando estão marcados cinco depoimentos a partir das 9 horas: do segurança da empresa Cortez Câmbio Turismo Francisco Marques Carioca; dos sócios da Skymaster Reginaldo Reges Menezes Fernandes e Eder Jouber Cabo Verde; do sócio da Cortez Câmbio e Turismo Carlos Alberto Taveira Cortez; e do advogado da Skymaster Marcus Valerius Pinto Pinheiro de Macedo.
Notícias anteriores:Sub-relator suspeita de pagamento de propina por Skymaster
Reportagem - Marcello Larcher
Edição - Rodrigo Bittar
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