O sub-relator de Contratos da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) dos Correios, deputado José Eduardo Cardozo (PT-SP), suspeita que os saques efetuados pelo segurança Francisco Marques Carioca nos dias 27 e 28 de junho de 2001 sejam relacionados a pagamento de propina. Cardozo lembrou que, no dia 26 de junho de 2001, véspera desses saques, a empresa aérea Skymaster foi contratada pelos Correios com dispensa de licitação.
Em depoimento que se encerrou há pouco na CPMI, Carioca admitiu ter feito saques para o suposto advogado Marcos Pinto, da Skymaster, no valor total de R$ 1,036 milhão, entre fevereiro de 2000 e julho de 2001. O segurança trabalha na Cortez Câmbio e Turismo, que fazia transações para a Skymaster em Manaus.
Requerimentos
Diante das informações prestadas por Carioca à comissão, os integrantes da CPMI votaram e aprovaram requerimento convocando Marcos Pinto a depor no dia 3 de janeiro, às 9 horas. Também foram aprovados requerimentos solicitando fitas de vídeo dos bancos em que foram realizados os saques, se houver; pedindo a Polícia Federal que colha depoimento de José Marques Carioca para tentar determinar o trajeto de carro que o segurança percorria para efetuar os saques e depois fazer a entrega do dinheiro sacado; e solicitando ao Detran em Manaus que forneça informações sobre o registro dos veículos em nome de Marcos Pinto.
Cardozo informou ainda que Carioca pode ser chamado novamente pela CPMI para uma possível acareação com Pinto.
Memória seletiva
Durante todo o depoimento, o segurança disse não lembrar o local em que fazia a entrega do dinheiro sacado para Marcos Pinto, que, segundo Carioca, pagava a ele R$ 50 por saque. Ele justificou o esquecimento dizendo que não costuma se lembrar do que não tem importância para ele. "O que me interessa eu guardo na memória. O resto fica para trás, já esqueci", afirmou.
A CPMI está ouvindo agora o chefe do Departamento de Negócios e Operações na Internet dos Correios, Antonio de Paula Braquehais. A comissão está reunida na sala 2 da ala Senador Nilo Coelho, no Senado.
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Reportagem - Newton Araújo Jr.
Edição - Marcos Rossi
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