O sub-relator de Contratos da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) dos Correios, deputado José Eduardo Cardozo (PT-SP), vai recorrer à Polícia Federal para investigar contradições nos depoimentos da ex-secretária da empresa Beta Regiane Pimentel, de seu ex-patrão e ex-sócio da companhia Antonio Augusto Morato Leite Filho e do segurança e ex-funcionário da Tecno Cargo Lincoln Frade. "Há indícios de pelo menos dois crimes: falso testemunho e falsidade ideológica. Só não é possível dizer qual dos três está mentindo", disse o deputado.
Versões diferentes
A primeira contradição apontada por Cardozo é a negativa de Regiane de ter entregue 20 mil dólares (cerca de R$ 45 mil) a Lincoln Frade. Em depoimento hoje na CPMI, Frade confirmou ter recebido esse valor em espécie das mãos da secretária, na sede da Beta.
Outra divergência é a afirmação da depoente de que nunca secretariou reuniões de diretoria na Beta. "Nunca participei de negociações de contrato ou de transações comerciais e sequer tinha conhecimento do se passava na empresa, pois minhas atribuições estavam restritas aos compromissos pessoais e familiares de meu chefe", afirmou. Cardozo, no entanto, recebeu de Leite Filho cópia da ata de uma reunião em que o nome dela consta entre os participantes.
Regiane garantiu ainda que não operava as contas de Leite Filho. Em depoimento anterior na comissão, porém, o empresário disse que ela era a responsável por suas movimentações bancárias.
Depoentes faltosos
A sub-relatoria da CPMI encerrou sua reunião desta quarta-feira sem ouvir os dois últimos depoentes do dia: os sócios da Cortez Câmbio e Turismo Carlos Alberto Taveira Cortez, e da empresa aérea Beta Francisco Marques Carioca. Cortez não compareceu porque, segundo ofício enviado por seu advogado, responde a processo criminal que corre em segredo de Justiça em Manaus, e está impedido de deixar a cidade. Ele foi preso preventivamente em agosto do ano passado, em operação da Polícia Federal contra doleiros.
Por sugestão do deputado José Eduardo Cardozo, a CPMI vai entrar em contato com o juiz da 3ª Vara Criminal de Manaus para confirmar as informações do advogado e, se possível, obter a liberação de Cortez para prestar depoimento.
Já Francisco Marques Carioca não deu explicação sobre sua ausência. Por isso, a CPMI vai pedir à Polícia Federal que o traga para depor sob escolta.
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Reportagem - Antonio Barros
Edição - Rejane Oliveira
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