A deputada Maninha (Psol-DF), que participa da delegação brasileira na 6ª Conferência Ministerial da Organização Mundial do Comércio (OMC), não vê avanços para o Brasil nas negociações para liberalização do comércio internacional. Na reunião, que começa amanhã em Hong Kong, a União Européia quer que os países em desenvolvimento sinalizem maior abertura na importação de produtos industriais e serviços. Já os países em desenvolvimento, liderados pelo Brasil, defendem a eliminação de barreiras tarifárias ao comércio agrícola e de subsídios para o setor nos países desenvolvidos.
A expectativa de fracasso das negociações foi sentida hoje, em Hong Kong, em encontro preparatório com parlamentares de vários países. Maninha observou que os norte-americanos não apareceram na reunião e os europeus não apresentaram nada de novo em relação à agricultura, enquanto africanos e latino-americanos repetiram suas reivindicações.
Sem vantagens
Para a deputada, os países desenvolvidos estão ditando os rumos das negociações da OMC. "Para os países em desenvolvimento, nenhuma vantagem está sendo apresentada. Não podemos competir com os subsídios à agricultura e abrir os nossos serviços para os europeus."
Essas posições dificilmente chegarão a um acordo na opinião de Maninha. "A expectativa de todos aqui é que não haverá avanço nenhum."
Subsídios para exportação
O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, vem afirmando que o grupo brasileiro vai brigar pela fixação de um prazo para eliminar pelo menos os subsídios concedidos pelos países desenvolvidos à exportação de produtos agrícolas. Estudo do Banco Mundial mostra que a eliminação completa das barreiras agrícolas elevaria a renda do setor em 46%.
Além de Maninha, estão em Hong Kong com a delegação brasileira os deputados paulistas João Herrmann Neto (PDT) e Paulo Lima (PMDB). Amanhã, os deputados têm uma primeira reunião com o chanceler Celso Amorim. A conferência da OMC vai até o fim desta semana.
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Reportagem - Sílvia Mugnatto
Edição - Francisco Brandão
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