Os líderes da base aliada vão se reunir hoje, às 18 horas, com o presidente da Câmara, Aldo Rebelo, para discutir o pedido de urgência ao projeto de resolução que permite o funcionamento do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar durante o recesso parlamentar de janeiro. Pelo Projeto de Resolução 277/05, do deputado Inocêncio Oliveira (PL-PE), a continuidade dos trabalhos do Conselho de Ética dependerá apenas de autorização do presidente da Câmara.
No período de recesso, o Conselho de Ética poderá dar continuidade apenas a trabalhos administrativos internos e, se encerrada a fase de defesa prévia, prosseguir com a instrução probatória e com a apresentação e discussão do parecer do relator. O projeto de resolução determina ainda que os prazos relativos à duração do processo disciplinar serão suspensos durante o recesso, voltando a correr no retorno dos trabalhos legislativos.
Contra a convocação
Para o líder do PSB, deputado Renato Casagrande (ES), o objetivo da alteração no Regimento Interno e no Código de Ética e Decoro Parlamentar é evitar o desgaste de uma convocação extraordinária. "Não pode haver nem convocação, nem autoconvocação, porque as duas acabam trazendo despesas para o Legislativo", defende.
Já o líder da Minoria , deputado José Carlos Aleluia (PFL-BA), disse que a oposição também não quer uma convocação extraordinária. Para Aleluia, mesmo que o Conselho de Ética funcione com limitações, não há necessidade de convocar o Congresso em janeiro.
As limitações no funcionamento do Conselho de Ética, segundo o pefelista, podem decorrer do direito aos recursos dos deputados que estão sendo investigados. O líder da Minoria observa que, caso um deputado queira pedir vista do processo, não haveria como contar o prazo pela falta de sessões ordinárias do Plenário. "Para o conselho funcionar corretamente, a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) teria de estar funcionando também para responder às indagações de natureza constitucional."
Convocação
O presidente da Câmara, Aldo Rebelo, prometeu uma decisão sobre o assunto até a próxima quinta-feira (15). Ele já havia afirmado que a principal preocupação da Casa é encontrar uma forma de assegurar o funcionamento do Conselho de Ética sem a necessidade de convocação extraordinária. A convocação do Congresso é uma prerrogativa do presidente da República ou dos presidentes das duas Casas do Congresso, em conjunto.
O presidente do Conselho de Ética, deputado Ricardo Izar (PTB-SP), já avisou que, mesmo sem a convocação, sete ou oito processos disciplinares contra deputados deverão estar prontos para votação no Conselho quando o Congresso retomar seus trabalhos, no dia 15 de fevereiro.
A reunião dos líderes da base aliada ocorrerá na residência oficial do presidente da Câmara.
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Reportagem - Geórgia Moraes
Edição - Francisco Brandão
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