O empresário José Carlos Batista, sócio da empresa Guaranhuns Empreendimentos, Intermediações e Participações, disse à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da Compra de Votos que foi procurado para operar no mercado financeiro para Marcos Valério em novembro de 2002. Batista apresentou aos integrantes da comissão um contrato assinado entre eles para a compra de certificados de participação em reflorestamento, no valor de R$ 10 milhões. Ele não quis explicar a modalidade de operação realizada, como foi feita a compra dos certificados de reflorestamento, nem de quem os comprou.
Alegando não desejar se incriminar, o depoente também evitou explicar a relação existente entre a compra de títulos para Marcos Valério e o repasse de R$ 4 milhões da SMPB à Guaranhuns - dinheiro que, segundo Batista, teria sido transferido para Valdemar Costa Neto, presidente do PL.
O sócio da Guaranhuns afirmou ainda que, em dezembro de 2003, encerrou seu contrato com Marcos Valério. "Sinto-me um réu político, apesar de não ser um político", desabafou.
Em nota divulgada nesta tarde à imprensa, Marcos Valério garante que nunca procurou José Carlos Batista para operar no mercado financeiro e que não houve qualquer contato entre ele e a Guaranhuns.
Dinheiro para títulos
O deputado Júlio Redecker (PSDB-RS) insistiu na "falta de lógica" dos números revelados por Batista. "Se o senhor repassou os títulos (certificados de reflorestamento que constam no contrato entregue à CPMI) para Marcos Valério e repassou os R$ 4 milhões recebidos dele para Valdemar Costa Neto (PL-SP), como é que o senhor tinha caixa para pagar os títulos?", questionou o parlamentar.
Depois de dizer que iria permanecer em silêncio, o depoente admitiu que os valores de face dos títulos foram pequenos e prometeu enviar em até 15 dias à CPMI toda a documentação referente à compra dos certificados.
Reportagem - Cristiane Bernardes
Edição - Patricia Roedel
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