Em audiência na Comissão de Defesa do Consumidor para debater os problemas causados aos consumidores pelo uso do antiinflamatório Vioxx, o diretor de Comunicações da Merck Sharp & Dohme do Brasil (empresa detentora do registro do medicamento), João Sanches, informou que a empresa já recolheu do mercado 390 mil unidades do medicamento no País. Segundo levantamento da Merck, já haviam sido distribuídas 600 mil unidades.
A medida trouxe grande impacto financeiro para o laboratório, já que a produção do remédio gerou, só no ano passado, 2,5 bilhões de dólares no mundo e, no Brasil, 30 milhões de dólares.
De acordo com Sanches, essa é a primeira vez em que a empresa teve de recolher um medicamento das farmácias. Ele salientou que a Merck optou por recolher o produto do mercado para garantir a segurança dos consumidores, mesmo não havendo qualquer determinação do Governo ou da Justiça.
O grupo americano decidiu retirar o Vioxx do mercado mundial, cujo princípio ativo é o Rofecoxibe, em setembro passado, devido a um estudo que mostra um aumento dos riscos de acidentes cardiovasculares e de crise cardíaca nos pacientes após 18 meses de tratamento.
Após acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), ficou definido que a empresa terá 60 dias para retirar o produto do mercado brasileiro.
Seis casos notificados
O chefe da Unidade de Farmacovigilância da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Murilo Freitas Dias, informou que, antes da divulgação do caso pela Imprensa, a Agência havia registrado apenas quatro casos de uma possível reação ao remédio. Até agora, seis casos foram notificados.
O representante da Anvisa explicou que, antes de o medicamento ser registrado, vários testes são realizados para avaliar a qualidade do produto, "mas só depois do uso contínuo do remédio é que se pode verificar reações adversas". O consumidor, segundo ele, deve saber dos riscos que corre ao tomar o medicamento. A Anvisa aconselha aos pacientes que fazem uso contínuo do remédio a procurar o médico que o prescreveu para definir outra opção de tratamento.
Depois de utilizar o antiinflamatório durante três anos, a consumidora Maria Dolores atribuiu problemas cardíacos ao uso do remédio. Ela relatou, durante a audiência, que as complicações cardíacas ocasionaram duas pontes de safena e atribui a complicação ao uso do remédio, já que exames anteriores não haviam identificado qualquer problema.
O deputado Celso Russomanno (PP-SP), autor do requerimento da audiência pública, destacou que muitas vezes falta ao médico conhecimento em relação aos problemas que poderão ser causados pelo uso de remédios.
Reportagem - Érica Amorim
Edição - Patricia Roedel
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