A representante da Organização Não-Governamental (Ong) Transparência Brasil, Ana Luiza Freck Saibro, afirmou nesta terça-feira, em audiência pública da Comissão Especial que analisa a Convenção da ONU contra a Corrupção, que ainda faltam medidas concretas e eficientes de comabte a corrupção no Brasil. "O Brasil está em 59º lugar entre 146 países, na mesma posição que há dois ou três anos. A conclusão é de que estão faltando medidas concretas e eficientes para combater a corrupção no País", disse Ana Luiza. Ela acrescentou que a corrupção não deve ser considerada um problema cultural brasileiro, pois todas as pesquisas feitas no País indicam que o povo considera a corrupção um mal a ser combatido.
Para Ana Luiza, a corrupção não pode ser medida, pois é um ato secreto e o único remédio é a prevenção, através de medidas como o maior acesso da população à informação, a transparência dos atos públicos, a lisura do processo eleitoral e uma permanente fiscalização da população sobre o uso dos recursos do Governo.
Indices brasileiros
Os índices de corrupção no Brasil permaneceram os mesmos nos últimos dois anos. O dado consta de relatório anual da organização. A situação brasileira na pesquisa permanece inalterada há seis anos. Neste ano, o País recebeu a pontuação de 3,9, repetindo o desempenho do ano passado. Desde 1998, o índice brasileiro varia entre 4,1 e 3,9. A Transparência Brasil é associada à Ong Transparência Internacional, que realiza todo ano pesquisa que mede o Índice de Percepção de Corrupção em vários países. O índice varia de 0 a 10 - quanto maior a nota menor a corrupção. Ele é medido de acordo com a opinião de observadores internacionais, na maioria executivos.
Ações de combate
O relator da Comissão Especial, deputado Paulo Rubem Santiago (PT-PE), disse ser preciso reforçar as ações da Polícia Federal, da Receita Federal e do Banco Central no combate à corrupção, além de mudar em profundidade a legislação. "Nós temos que avançar muito para poder efetivamente combater a corrupção preventivamente, em vez de correr atrás do prejuízo", disse Santiago. Ele anunciou que vai reforçar o pedido para que os ministros da Controladoria-Geral da União, Waldir Pires, e da Justiça, Márcio Thomas Bastos, compareçam à Comissão Especial.
Reportagem - Patrícia Gripp
Edição - Luiz Claudio Pinheiro
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