Os dez anos do Tratado de Livre Comércio da América do Norte (Nafta) representaram uma experiência negativa para o México. Foi o que revelou a professora e pesquisadora da Universidade Nacional Autônoma do México, Irma Pérez, em debate promovido pela Comissão Parlamentar Conjunta do Mercosul nesta quinta-feira.
Segundo Pérez, os objetivos do tratado de proteger as economias dos países envolvidos, promover a abertura comercial e reduzir as barreiras comerciais não foram alcançados no México. A pesquisadora destacou que houve um processo de desindustrialização em vários setores do mercado mexicano. Segundo ela, muitos empresários preferiram importar a produzir, por causa dos baixos custos de importação.
Além disso, muitas empresas do país quebraram e a economia interna não aumentou. A produtividade cresceu, mas houve a redução dos salários médios, que caíram 20% nesses dez anos.
Irma Pérez denunciou a migração ilegal, revelando que cerca de 800 mil mexicanos vão para os Estados Unidos por ano. Ela ressaltou ainda que o México está se especializando em exportar mão-de-obra barata.
O deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), que presidiu a comissão, disse que o quadro atual do México, como foi apresentado pela pesquisadora, é preocupante. É um país com um PIB de 11 trilhões de dólares e que de alguma forma está disseminando conceitos que precisam ser repensados, para ver se também não nos tornaremos uma escravidão moderna do século XXI com a Alca.
Apesar de todas as transformações sofridas pelo México com o Nafta, o PIB mexicano é maior que o do Brasil e a situação econômica daquele país hoje também é melhor, segundo a professora e pesquisadora mexicana. Ela destaca o país como sendo o primeiro lugar em vendas de televisores para os Estados Unidos e como grande exportador de petróleo para os americanos, vendendo aos Estados Unidos 80% da sua produção. Segundo ela, a economia mexicana deve crescer 3% até o final de 2004.
Reportagem - Danielle Popov
Edição - Patricia Roedel
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