Em audiência pública na Comissão de Direitos Humanos, o delegado João Carlos Amorim Diniz apontou hoje fortes indícios de conexão entre os assassinatos de 41 crianças no Pará, entre 1988 e 1992, e no Maranhão, entre 1989 e 2003. Apesar disso e da confissão dos crimes pelo mecânico Francisco das Chagas, quatro pessoas julgadas e condenadas pelos assassinatos no Pará continuam presas.
Segundo o presidente da Comissão, deputado Mário Heringer (PDT-MG), será realizada nova audiência pública para esclarecer porque os outros acusados ainda estão presos. A próxima etapa é a aprovação de requerimento apresentado pelo deputado Luiz Couto para ouvir a versão das pessoas envolvidas no Pará, informou.
Semelhanças
Na audiência desta manhã, o delegado Diniz, responsável pelo inquérito no Maranhão, relatou aos deputados que existem semelhanças nas lesões, no perfil das vítimas, na forma e no lugar onde foram encontradas. As crianças tinham idade entre 8 e 15 anos, eram pobres e foram assassinadas perto de uma estrada. Além disso, tiveram um dedo médio, um mamilo e uma orelha retirados pelo assassino.
"Tanto no Pará quanto no Maranhão, os corpos foram encontrados nus, cobertos por palhas, em regiões ermas como pastos de palmeiras de tucum, relatou o delegado. Além disso, vítimas nos dois estados foram emasculadas e tiveram outras partes dos corpos retidas".
A audiência, proposta pelos deputados Pastor Reinaldo (PTB-RS) e Marcus Vicente (PTB-ES), também teve a participação da
promotora Geraulides Mendonça Castro, do Maranhão; dos advogados de defesa dos réus presos no Pará, Cláudio Dalledone Junior e Jânio Siqueira; da promotora Sueli Lima e Silva, do Espírito Santo; e do juiz de Direito Ernane Malato.
Longo processo
O processo sobre os crimes tramitou na Justiça por mais de 15 anos. No final do ano passado, quatro pessoas foram condenadas no Pará: os médicos Anísio Ferreira de Souza e Césio Flávio Caldas Brandão, o empresário Amailton Mandeira Gomes e um policial militar. Acusados de participar da seita satânica Lineamento Universal Superior - comandada por Valentina de Andrade, que foi absolvida no processo -, eles cumprem pena de 56 anos no presídio estadual de Marituba (PA).
Depois do julgamento, a imprensa divulgou que oficiais de Justiça que atuaram no caso estariam envolvidos em atos de suborno. O juiz que presidiu o Júri acabou sob suspeita, e sigilos bancários e telefônicos foram quebrados. Logo depois, o mecânico maranhense confessou a autoria dos crimes.
Reportagem Patrícia Gripp
Edição Rejane Oliveira
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