Embora sejam recebidas a tiros em algumas localidades, as tropas da Missão da ONU para a Estabilização do Haiti (Minustah) são consideradas necessárias, no momento, por todas as facções e partidos políticos haitianos, até a efetiva estabilização política daquele país. É o que relata a deputada Maninha (PT-DF), chefe da delegação da Confederação Parlamentar das Américas (Copa), que está avaliando a situação política no Haiti.
Para Maninha, os eventuais ataques às forças da Minustah são restritos a algumas localidades e não refletem uma oposição geral à missão da ONU. "Boa parte dos agressores são jovens armados delinqüentes, que atacam sem propósito político claro, mais por uma questão de demarcação de território", diz Maninha.
Segundo a deputada, a estabilização só ocorrerá com a organização da população por meio de programas sociais e com a reconstrução econômica do Haiti. "É impossível, mesmo com a ajuda da ONU ou de outras instituições multilaterais, realizar em curto ou médio prazo eleições livres com efeitos legítimos", afirma a deputada.
Maninha explica que esses pontos de vista são comuns às cinco principais tendências políticas, cujos representantes foram entrevistados pela missão composta por três deputados brasileiros, uma deputada canadense e uma deputada venezuelana do Parlamento Andino. A delegação esteve no Haiti entre os últimos dias 12 e 15. "A miséria e a falta do Estado são tão grandes que você vê as pessoas nas ruas em completa apatia, ou absolutamente ocupadas com a sua sobrevivência. Nesse estado de coisas é impossível haver pactos sociais e políticos para realização de eleições livres com resultados legítimos", afirma Maninha.
Atividades da delegação
A delegação entrevistou, entre outros, o primeiro-ministro Gérard Latortue, do governo de transição, composto por tecnocratas de direita; o secretário geral adjunto do Konacom, Micha Gaillard, partido que compõe a "fusão" das esquerdas; o senador Louis Gérald Gilles, do partido Lavalas, que agrega os partidários do presidente deposto Jean Bertrand Aristides; o ministro dos Negócios Estrangeiros, Yvon Simeon; e representantes dos ex-militares das Forças Armadas, que se incumbiram das atividades de policiamento e têm pensamento político independente, e do "Grupo dos 184", coalizão de empresários haitianos.
Além de Maninha, participaram da missão da Copa os deputados brasileiros Dra. Clair (PT-PR) e Fernando Gabeira (sem partido - RJ), a deputada canadense Charlotte L' Écuyer, e a deputada do Parlamento Andino, Jhannett Madriz (que representa a Venezuelana nesse parlamento regional). Eles vão elaborar um relatório, a ser enviado à ONU, à Organização dos Estados Americanos (OEA) e aos Parlamentos do continente, descrevendo o que foi visto e propondo ações como a criação de um Fundo para programas sociais e para a reconstrução econômica do Haiti.
Da Redação/LCP
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