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Audiência avalia investimentos em Ciência e Tecnologia

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Por: Agência Câmara
Data de Publicação: 10 de novembro de 2004
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A ampliação dos investimentos na área de Ciência e Tecnologia foi um dos principais temas da audiência pública promovida nesta quarta-feira pelas comissões de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática; de Minas e Energia; e de Relações Exteriores e de Defesa Nacional. Durante os debates foram abordados também temas como o Programa Espacial Brasileiro, o ensino de matemática e o uso de energia nuclear.

O professor do Instituto de Física da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Luiz Davidovich, que participou dos debates, alertou que os investimentos do Brasil na área de Ciência e Tecnologia são pequenos e precisam ser ampliados. Davidovich afirmou que a ausência de pesquisa e desenvolvimento limita o emprego. Segundo ele, para cada 1 milhão de dólares investidos pela Roche 52,6% acabam gerando empregos na própria sede, enquanto no Brasil essa proporção é de 3,72%.

Projetos da Cnen

O assessor da Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen), Francisco Rondinelli Júnior, que também participou da audiência pediu mais verbas para diversos projetos da entidade. Rondinelli estima que a Comissão precise de um reforço orçamentário de R$ 141,4 milhões, divididos da seguinte forma:

1- R$ 18,6 milhões para implantação da tecnologia por diagnóstico (PET) em Minas Gerais;

2 - R$ 1,7 milhão para complementar as instalações laboratoriais do Centro Regional de Ciências Nucleares do Norte e Nordeste;

3 - R$ 6 milhões para modernização dos equipamentos de pesquisa e produção e controle de qualidade dos radiofármacos de São Paulo;

4 - R$ 2 milhões para a Unidade Móvel de Irradiação por Feixe de Elétrons em São Paulo;

5 - R$ 2,5 milhões para implantação do Centro de CIÊNCIA e Tecnologia de separação mineral do Rio de Janeiro;

6 - R$ 4 milhões para atualização tecnológica do Laboratório Nacional de Metrologia das Radiações Ionizantes no Rio de Janeiro; e

7 - R$ 1,6 milhão para implantação do Laboratório de Radioproteção de Goiânia e Distrito Federal.

Desenvolvimento Tecnológico

O coordenador de Desenvolvimento Tecnológico do Instituto Nacional de Tecnologia (INT), Caetano Moraes, também pediu que os parlamentares destinem mais verbas no Orçamento de 2005 para a entidade. Caetano pediu mais recursos para os seguintes projetos:

1- apoio à pesquisa e desenvolvimento em Biodiesel ;

2- implantação de um centro de avaliação de produtos;

3- instalação de núcleo de avaliação de móveis escolares;

4- avaliação da conformidade da produção integrada de frutas;

5- apoio às comunidades ceramistas do Vale do Jequitinhonha; e

6- desenvolvimento de novas aplicações para resíduos elastoméricos.

O coordenador listou ainda as principais linhas de atuação em andamento do Instituto Nacional de Tecnologia:

1 - obtenção de hidrogênio através da reforma do etanol para uso em células a combustível;

2 - obtenção, caracterização e avaliação de biodiesel;

3 - obtenção de aditivos químicos a partir do líquido da casca da castanha de caju;

4 - desenvolvimento de processos para dessalinização de águas do mar e salobras; e

5 - novas tecnologias para utilização de gás natural como fonte energética.

O INT foi criado em 1921 com o nome de estação experimental de combustíveis e minérios. "O objetivo principal da entidade é participar da modernização do País, pela incorporação de soluções tecnológicas criativas às atividades de produção e gestão de bens e serviços", resume Moraes, o que contribui para o desenvolvimento econômico e social do Brasil.

Formação deficiente

O professor Luiz Davidovich reclamou ainda do número de bolsas de mestrado e doutorado oferecidas pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), e Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ), as quais, em sua avaliação, não acompanham o crescimento da demanda do Brasil. "Precisamos de jovens formados para dar continuidade ao crescimento do País", alertou.

Ele disse que apenas 9,8% dos jovens brasileiros entre 18 e 24 anos estão na faculdade. Desses, 70% estudam em instituições privadas. Davidovich também reclamou dos cursos de bacharelado, oferecidos pelas universidades, os quais, em sua opinião, são, em geral, "longos, com duração de quatro a seis anos, e pouco objetivos". O professor carioca disse também que há um desequilíbrio regional muito grande no País no que se refere a mão-de-obra qualificada. De acordo com ele, a maioria dos estudantes que fazem cursos no exterior, ao retornar, prefere trabalhar em estados como São Paulo e Rio de Janeiro.

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Da Redação/PCS

 

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