Nas últimas duas décadas, o mercado financeiro brasileiro apresentou uma evolução surpreendente. A avaliação é da representante da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F), Angela Kulais, que participou hoje do seminário Pensando o Futuro, promovido pela Comissão de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio.
Segundo Kulais, a evolução do mercado foi constatada apesar de sucessivas crises no setor, como o esgotamento do padrão de financiamento público e o excessivo endividamento externo. O avanço, para ela, deve-se à modernização do mercado de capitais e do sistema financeiro, ao alto investimento em tecnologia e à reestruturação empresarial.
Números positivos
A palestrante informou que a BM&F é, atualmente, a sexta maior bolsa do mundo, com uma negociação diária de 25 bilhões de dólares (quase R$ 75 bilhões). Apesar dos números positivos, ela defendeu a adoção de medidas para fortalecer o mercado de capitais, entre as quais a retomada do crescimento econômico e a geração de novos empregos, que resultariam na ampliação da base de investidores.
Angela Kulais também reclamou do sistema tributário brasileiro, ao sugerir a implantação de políticas para interromper a migração de mercados para o exterior. "Com a CPMF, mais de 40% dos investidores do mercado de derivativos migraram para outros países", alertou.
Ela conclamou a uma união de esforços, a exemplo do que aconteceu no seminário, em favor do fortalecimento do mercado financeiro. "Mais importante do que discutir cada questão quando ela surge é desenvolver canais permanentes de discussão do setor privado com o Governo e com o Legislativo, para que os problemas sejam sempre debatidos e as soluções buscadas em conjunto, recomendou.
Democratização das bolsas
O presidente da Bovespa, Raymundo Magliano Filho, defendeu a democratização da bolsa de valores para atrair pequenos investidores. Ele lembrou que o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) já alertou que o problema dos países emergentes é não ter uma poupança interna, o que os obriga a uma situação de extrema dependência da poupança externa.
Segundo Magliano, em 2002, as pessoas físicas eram responsáveis por apenas 15% do volume diário de negociações na bolsa de valores. Em 2004, esse percentual dobrou. "O investidor brasileiro está preocupado com qualidade. É preciso garantir visibilidade, transparência e acesso ao mercado de capitais", resumiu.
Ele informou ainda que a Bovespa está fazendo uma campanha para popularizar o mercado de capitais. Nós temos ido a todos os lugares, principalmente aos trabalhadores e às centrais sindicais, divulgando o que é o mercado para desmitificar o assunto e mostrar que a bolsa não é uma casa de jogo". Com o mesmo objetivo, a entidade instituiu um ombudsman (ouvidor) encarregado de esclarecer como se compra e vende ações, além de minimizar conflitos e garantir a credibilidade dos investimentos em bolsa de valores.
Integração latino-americana
O presidente da Bovespa também defendeu a integração dos mercados financeiros latino-americanos. Ele explicou aos participantes do seminário que esses mercados têm sido "tragados pelo mercado norte-americano, principalmente no caso do México.
O seminário Pensando o Brasil vem reunindo, desde novembro, intelectuais, especialistas e parlamentares para discutir temas considerados estratégicos para o País.
Reportagem Érica Amorim e Regina Cunha
Edição - Rejane Oliveira
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