Participantes do Seminário Binacional Brasil-Argentina, que se encerrou ontem, ressaltaram a necessidade de se ampliar o diálogo entre os dois países e de dar início a ações conjuntas que realmente ultrapassem o campo das discussões, especialmente na área da Defesa Nacional. O evento foi promovido pelas comissões de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara e do Senado do Brasil e da Argentina e pelos ministérios da Defesa dos dois países, além do Grupo Parlamentar de Amizade Brasil-Argentina.
O diretor de Estudos Latino-Americanos da Universidade Estadual de São Paulo (Unesp), professor Héctor Saint-Pierre, sugeriu a realização de uma teleconferência entre os Parlamentos brasileiro e o argentino. "Temos duas universidades, uma na Argentina e outra aqui, que têm uma vinculação na área da Defesa. Poderíamos montar um curso a distância, promovido pelas duas universidades, sobre atualização em Defesa, que seria ministrado nos dois parlamentos para assessores, funcionários, jornalistas, deputados".
Adequar legislações
A deputada Maninha (PT-DF) afirmou, durante o encontro, que há uma solicitação dos parlamentares da Comissão de Relação Exteriores e Defesa da Argentina de se passar da discussão para ações objetivas e práticas. Ela lembra que já houve um primeiro intercâmbio entre funcionários. "Nós queremos adequar nossas legislações. Acabamos de ter aqui a aprovação da Lei do Abate, que o Congresso argentino vai ter que discutir também. Por que não fizemos isso de forma sintonizada?, questionou.
A deputada assinalou ainda que houve envio de tropas argentinas e brasileiras para o Haiti. "Por que essa discussão não foi feita de forma conjunta, para que ambos os parlamentos pudessem agilizar suas legislações? Queremos nos integrar do ponto de vista prático e objetivo, adequando as legislações e tomando ações práticas de pressão sobre os Executivos, afirmou.
O presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara, deputado Carlos Melles (PFL-MG), garantiu que as propostas apresentadas vão ser analisadas o mais rapidamente possível. "Espero dar velocidade a todas essas propostas e fazer um protocolo de intenção para ser firmado por todos os participantes do seminário".
Durante os dois dias de debate, também foram lançados três livros: "Democracia e Defesa Nacional, "A Criação do Ministério da Defesa na Presidência de FHC" e "O Brasil no Cenário Internacional de Defesa e Segurança".
Reportagem - Lucélia Cristina
Edição - Regina Céli Assumpção
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