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Comissão vai apurar destruição de documentos no Ceará

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Por: Agência Câmara
Data de Publicação: 23 de dezembro de 2004
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Depois de fazer diligência em Salvador (BA), no último dia 16, a Comissão de Direitos Humanos vai mandar uma delegação a Fortaleza (CE), na próxima quarta-feira (29), para apurar denúncias de destruição de documentos secretos da ditadura militar. A delegação será composta pelos deputados petistas João Alfredo (CE), Luiz Alberto (BA) e Luiz Couto (PB).

A programação da viagem, que atende a requerimento de João Alfredo, prevê uma visita ao quartel da 10ª Região, uma audiência com o governador Lúcio Alcântara e uma reunião com os anistiados daquele estado. O deputado defende a apuração cuidadosa das denúncias de destruição de arquivos do Exército e do DOI-Codi sobre movimentos então considerados subversivos. Para João Alfredo, se de fato ocorreu, o episódio representa um atentado contra a memória do povo brasileiro, especialmente dos que lutaram pelos direitos humanos.

Em meio a livros

No último dia 15, o jornal O Povo , de Fortaleza, noticiou que o general-de-divisão Júlio Limaverde, provocado por uma solicitação do próprio jornal, respondeu por meio de ofício que os documentos do período 1960/1970 haviam sido destruídos na 10ª Região Militar.

No dia 21, o Diário do Nordeste revelou que papéis da ditadura, com carimbos de confidencial e reservado, foram achados no início do ano por um professor, numa escola pública, dentro de caixas de livros doados. Entre eles, haveria um documento do Ministério do Exército intitulado "Infiltrações subversivas no meio universitário de Brasília".

Entre os documentos pretensamente destruídos, estariam os referentes à "Operação Calhambeque", que culminou com a prisão e morte de Pedro Gerônimo, sindicalista e integrante do Partido Comunista Brasileiro (PCB). Ele foi preso em 11 de setembro de 1975 e apareceu morto em uma cela da Polícia Federal seis meses depois, após ser torturado. Faria parte da documentação uma fita de super-8 que registra o momento em que militantes presos decidem entregar o companheiro ao DOI.

Da Redação/LCP

 

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