Muitos documentos relacionados à repressão política da época da ditadura militar escaparam à incineração e permanecem intactos na Base Aérea de Salvador. Foi o que revelou há pouco o deputado Luiz Alberto (PT-BA), integrante da Subcomissão enviada hoje à tarde pela Comissão de Direitos Humanos para apurar o recente crime de destruição de papéis dos arquivos militares na Base de Salvador.
Segundo Luiz Alberto, a Subcomissão cumpriu seu objetivo inicial e conseguiu comprovar a ocorrência da incineração criminosa. Segundo o deputado, provavelmente a maior parte dos documentos destruídos eram fichas do antigo Departamento de Ordem Política e Social (Dops), muitas delas referentes a pessoas conhecidas da política baiana.
Ainda sem pistas
"Só a perícia poderá identificar com mais precisão a origem dos documentos incinerados, mas o nosso maior objetivo é saber quem incinerou, porque ainda não há pistas", explicou o deputado, acrescentando que a Subcomissão seguirá acompanhando o Inquérito Policial Militar (IPM) instaurado para apurar o crime.
Luiz Alberto disse que ainda é preciso esclarecer, por exemplo, se a fita exibida pelo programa "Fantástico" sobre os papéis incinerados foi gravada pela própria Rede Globo ou adquirida pela emissora de algum cinegrafista amador. "A única certeza é de que quem cometeu o crime entrou na Base Aérea pelo portão principal", informou o deputado.
Novas denúncias
O presidente do IPM informou à Subcomissão que a Base Aérea não guarda aquele tipo de documento, e portanto os papéis teriam sido trazidos de fora. "Não há idéia do motivo", disse Luiz Alberto.
A Subcomissão recebeu uma denúncia de que um crime semelhante ao da Base Aérea de Salvador teria sido cometido em Fortaleza. E também uma outra denúncia de que, em Porto Alegre, uma empresa privada teria sido contratada, ainda na época da ditadura, para microfilmar os arquivos da repressão. Segundo Luiz Alberto, essa empresa estaria operando até hoje.
Reportagem - Luiz Claudio Pinheiro
Edição Rejane Oliveira
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