Em almoço nesta quinta-feira com os líderes partidários, na residência oficial da Presidência da Câmara, o deputado João Paulo Cunha afirmou que, apesar dos problemas enfrentados durante o ano, a Casa cumpriu o seu papel, trabalhou bastante e aprovou matérias importantes, como a Lei de Falências. "Mas por mais que se faça, sempre há muito por fazer. Acho que, no próximo ano, será possível complementar o trabalho", disse.
Durante o encontro, o líder do PFL, José Carlos Aleluia(BA), reclamou que o excesso de medidas provisórias atrapalhou os trabalhos da Câmara. Já o líder do Governo, deputado professor Luizinho (PT-SP), afirmou que em 2004 a Câmara deu uma grande contribuição ao crescimento do País, quando aprovou a desoneração do PIS e da Cofins para vários setores, o programa de modernização de portos, benefícios para o setor agrícola e o marco regulatório do setor elétrico, além de avançar na tramitação das reformas.
Salário mínimo
Em entrevista após o almoço, João Paulo afirmou achar "muito difícil" o Governo reajustar o salário mínimo em janeiro para R$ 290, como sugeriram senadores do PT, já que o próprio presidente da República concordou com um valor de R$ 300 a partir de maio. "Estamos dispostos a discutir o assunto, mas se é possível conceder um valor maior em janeiro, por que foram anunciados R$ 300 para maio?, indagou.
Segundo João Paulo, as informações recebidas do Ministério da Fazenda indicam dificuldades para antecipar o aumento, pois o impacto nas contas do Governo seria alto. Os líderes do PL, Sandro Mabel (GO), e do PTB, José Múcio Monteiro(PE), disseram que apoiariam o mínimo de R$ 290 em janeiro.
Presidência da Câmara
Elogiado pelos líderes pela independência com que conduziu a Câmara nos últimos dois anos, João Paulo disse que o exercício de um poder como o Legislativo exige doses de cautela e prudência na relação com os outros poderes. "Não pode haver submissão, mas evidentemente não se pode quebrar a harmonia", avaliou. De acordo com João Paulo, o candidato a ser escolhido pelo PT para a Presidência da Câmara atenderá a essas expectativas".
Depois de concordar que o presidente João Paulo "fez um bom trabalho", o líder pefelista José Carlos Aleluia apontou como principal qualidade do novo presidente da Casa, a partir de fevereiro do próximo ano, uma postura de independência em relação ao Governo. "João Paulo foi um bom presidente, correto e que trabalhou nos limites das possibilidades de um Executivo intolerante, afirmou. Acho que precisamos de um presidente com essas qualidades, mas que perceba um novo tempo, que exige um Poder independente, já que no último período a Câmara teve que se curvar muito à vontade do Executivo".
Já o líder do PL, partido que integra a Base do Governo, alertou que o PT precisa escolher um candidato pensando na Câmara como um todo e não apenas no partido. "Se escolherem um bom candidato, os partidos da Base apoiarão. Caso contrário, vão ficar sozinhos e correm o risco de escolhermos outro nome", disse Sandro Mabel, embora reafirmando a disposição de seu partido de colaborar para eleger um nome do PT para o cargo.
A eleição da nova Mesa Diretora da Câmara será no dia 14 de fevereiro.
Reportagem - Rosalva Nunes e Alexandre Pôrto
Edição - Nira Foster
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