A prorrogação do acordo entre o governo brasileiro e o Fundo Monetário Internacional foi tema de seminário promovido pela Frente Parlamentar em Defesa do Financiamento Público e da Soberania Nacional.
O seminário, intitulado "Renovar com o FMI: Para quê?", já estava marcado há um mês e coincidiu com o anúncio feito pelo Governo de que vai prorrogar o acordo por mais um ano - decisão que foi criticada pelo coordenador do seminário e da Frente Parlamentar em Defesa do Financiamento Público e da Soberania Nacional, deputado Ivan Valente (PT-SP).
Para Valente, a renovação do acordo é sinal de insegurança do Governo, e vai continuar impedindo o crescimento econômico do País. "Não tenho dúvidas de que a retomada do acordo com o Fundo é para fazer superávit primário, ou seja, cortar na carne gastos sociais de saúde e educação; é ter uma imposição de políticas restritivas, inflacionárias; é ter uma posição de que o capital financeiro tem que ganhar. Na minha opinião, o Brasil tinha que andar com pernas próprias, e não precisa fazer esse acordo com o Fundo Monetário", afirmou.
DEFESA DA MORATÓRIA
Um dos palestrantes do seminário, o economista Alberto Amadei, contestou o argumento utilizado pelo Governo de que a renovação do acordo terá caráter preventivo. "O acordo com o Fundo, goste o ministro Palocci ou não, é uma programação de recessão. Dizer que se trata de um acordo para o crescimento é de uma cretinice fundamental", disse o economista, parafraseando Nelson Rodrigues. Ele ressaltou ainda que o Governo Lula vem dissolvendo a capacidade crítica do PT em relação à política econômica.
Amadei, que é coordenador do Fórum Transparência, Ética e Controle Democrático, defendeu a moratória como única alternativa para garantir as condições para o crescimento econômico do País. "Onde estão aqueles economistas oficiais, bem pagos, consultores de grandes empresas transnacionais que diziam que o mundo ia desabar na cabeça da Argentina e da Rússia quando eles fizeram a moratória? A Rússia fez a moratória em 1998 e cresce 6,5% ao ano. Não se tratam de caloteiros, mas de renegociar contrato, o que o setor privado faz todo dia", criticou.
O economista argentino Eduardo Josani também defendeu a proposta de moratória que, segundo ele, possibilitou ao país vizinho um acordo mais favorável com o FMI.
TENTATIVA DE REVERSÃO
Segundo o Governo, o acordo só deverá ser assinado em dezembro. O deputado Ivan Valente acredita que, até lá, é possível evitar que isso aconteça. Segundo ele, na próxima terça-feira, a bancada do PT na Câmara vai se reunir com o ministro da Fazenda, Antônio Palocci.
O debate será retomado na próxima quarta-feira (12).
Reportagem Márcio Salema
Edição - Patricia Roedel
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