A Frente Parlamentar composta por deputados do PT, PCdoB e PDT apresentou nesta quinta-feira, no plenário da Câmara, um manifesto em que se opõe ao novo acordo do Governo com o Fundo Monetário Internacional (FMI).
O documento, intitulado "É possível e necessário não renovar o acordo do Brasil com o FMI", é assinado por 23 deputados e destaca que a utilização do empréstimo oferecido pelo Fundo, estipulado em 14 bilhões de dólares, obrigaria o Brasil a reduzir investimentos no setor social, além de condenar o País a uma grave recessão porque um terço da receita líquida do Governo estaria comprometida com o pagamento de juros ao FMI.
Um dos autores do manifesto, o deputado Chico Alencar (PT-RJ) afirma que o texto do documento e a discussão sobre o acordo não devem ficar restritos à Câmara. Ele informou que o manifesto se soma a outro em que diversos economistas, cidadãos e movimentos sociais estão divulgando através da Rede Brasil.
O texto também será levado ao Fórum Social Brasileiro, que reunirá cerca de 50 mil pessoas em Belo Horizonte neste fim de semana, onde acordos como a Alca e o FMI serão debatidos.
Na próxima semana, a frente vai apresentar o manifesto em seminário promovido pela Frente Parlamentar em Defesa do Financiamento Público e da Soberania Nacional e, em seguida, vai encaminhá-lo ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
APOIO
O líder do PT na Câmara, Nelson Pellegrino (BA), afirmou que apesar de os petistas serem a maioria dos que apóiam o abaixo-assinado contra o acordo, a bancada não vai decepcionar o Governo na hora de decidir sobre o empréstimo. "A impressão que tenho é que, majoritariamente, os deputados apóiam a política do presidente Lula e a política econômica. Se for necessária uma formulação de apoio, faremos. Tenho certeza de que o Governo não faria um novo acordo com o FMI se não fosse necessário", defendeu.
O presidente nacional do PT, José Genoíno, também tentou minimizar as resistências internas do partido. Nesta tarde, durante um encontro em Belo Horizonte, ele recebeu uma carta aberta dos parlamentares mineiros contrários ao acordo. Genoíno garantiu que o PT acata todas as opiniões e que o partido está coeso.
Lula tem até dezembro para decidir sobre o novo empréstimo. É o prazo em que se encerra o atual acordo do Governo brasileiro com o FMI, firmado em novembro de 1998 e renovado em 2001 e 2002, durante o Governo Fernando Henrique Cardoso.
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Reportagem - Jonas Vianna
Edição - Daniela André
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