O intercâmbio de experiências e diagnósticos com setores envolvidos na gestão de águas no Brasil e no mundo foi o principal enfoque do seminário "A Água, Patrimônio da Humanidade", realizado hoje no auditório do Espaço Cultural da Câmara. Um dos objetivos do encontro foi viabilizar o aprimoramento de práticas comuns dos gestores.
O evento, promovido pelo Núcleo de Gestão Ambiental da Câmara (Ecocâmara), contou com a participação do ouvidor-geral da Casa, deputado Luciano Zica (PT-SP), e de duas turmas de 55 alunos do curso de Sociologia da Universidade de Brasília (UnB), acompanhados pela professora Astrid Kuchemann.
AÇÕES DA CÂMARA
A representante do Núcleo de Gestão Ambiental da Câmara (Ecocâmara), Valéria Czameski Felício dos Santos, falou sobre as ações que estão sendo feitas para racionalizar o uso da água na Casa. Segundo ela, um levantamento mostrou que o consumo médio de água por pessoa ao dia dentro da Casa é de 37 litros. O valor é menor do que o determinado pelas agências nacionais e internacionais que regulam a água do planeta, que estabelecem uma média de 50 litros por pessoa ao dia para se manter o recurso hídrico mundial.
Apesar dos números indicarem o contrário, Valéria Czameski explicou que ainda assim a Casa tem se preocupado com o desperdício de água. Entre as ações implementadas, está a substituição das garrafas e garrafões de plástico de 1,5 litros por filtro de parede. Além de não gerar lixo plástico, será usada a água dos reservatórios da Câmara, que já tem certificado de garantia de que atende aos padrões exigidos por lei, emitido pela Companhia de Água e Esgoto de Brasília (Caesb).
ESPELHO D`ÁGUA
Valéria Santos afirmou também que um dos grandes problemas na Casa era a manutenção do espelho d'água, mas hoje a limpeza já consiste no esvaziamento parcial do espelho. A água retirada irriga os jardins, não sendo desperdiçada.
Já existe também um projeto para que seja feito o tratamento do espelho como uma grande piscina, utilizando uma casa de máquina que vai limpar e reciclar a água sem a necessidade de jogá-la fora.
DESCARGAS
Um projeto piloto vai substituir dentro do Anexo I e do Edifício Principal as atuais válvulas de descarga dos sanitários pelo sistema de descarga a vácuo, similar aos utilizados nos aviões, ou pelo sistema VDR (Volume de Descarga Reduzido - 6 litros).
CONSUMO
O técnico da Unesco Bernardo Bruner relatou que os processos de cooperação internacional no uso da água, nos últimos 50 anos, totalizaram 1.831 casos, superando os de conflito, que somaram 507 no mesmo período. De acordo com Bruner, embora a população nos últimos 50 anos tenha aumentado de 3,5 bilhões para 6 bilhões (quase o dobro), o consumo de água triplicou.
AGÊNCIA DE ÁGUAS
O superintendente de Articulação Institucional da Agência Nacional de Águas (ANA), Rodrigo Flecha, explicou as funções do órgão - disciplinar a utilização dos rios de forma a evitar a poluição e o desperdício - e destacou, entre elas, a obrigação de garantir a água em quantidade e de boa qualidade para as gerações futuras. Entre as ações que já estão sendo implementadas, o superintendente ressaltou a instalação de quatro escritórios espalhados pelo País e a criação do Comitê de Bacia Hidrográfica. Esse órgão tem competência normativa e articula a integração dos estados para proteger os recursos hídricos.
EXCLUSÃO
O Brasil possui a maior reserva de água doce do mundo - 15% do total. No entanto, a Ong WWF - Fundo Mundial para a Natureza - denuncia que apesar das grandes reservas, o mau uso dos recursos deixa milhões de pessoas sem água potável para consumo.
DESPERDÍCIO
Os mananciais do Distrito Federal não sofrem grandes agressões. A avaliação é da superintende de operação industrial da Caesb, Tânia Bailão. Ela explicou que isso deve-se ao fato de não haver grandes indústrias no DF. "Mas não quer dizer que não temos problemas. Já há sinal de alerta sobre a possível falta de água no Distrito Federal".
Planaltina, Sobradinho, Lago Sul e Paranoá são as áreas onde há risco futuro de indisponibilidade de água. Bailão adianta que a Caesb fará uma campanha para conscientizar os moradores do Lago Sul sobre a necessidade de não desperdiçar água, pois um levantamento da instituição apontou que cada habitante do Lago Sul gasta de 600 a 800 litros de água por dia.
A empresa é responsável pelo abastecimento de água para 91,6% da população do DF (1,8 milhão de habitantes), a coleta de esgoto de 88% da população (1,7 milhão de habitantes) e trata 64% dos dejetos. Além disso, Tânia Bailão informou que a Caesb garante 99% da continuidade de abastecimento, ou seja, sem interrupções ou falta de água.
A companhia atua nas 19 regiões administrativas do DF; onde opera 5 sistemas com capacidade de produzir 8.740 litros de água por segundo cada um, utiliza 28 mananciais, tem 25 postos em operação e 41 reservatórios. Segundo a superintendente da Caesb, a meta para 2004 é que o Distrito Federal alcance 100% de água potável e tratamento de esgoto.
Reportagem - Lilian Daher
Edição - Daniela André
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