A CPI que investiga a ação de grupos de extermínio no Nordeste ouviu nesta terça-feira os deputados estaduais Gilmar Carvalho, de Sergipe, e Yulo Oiticica, da Bahia, ambos do PT. Eles confirmaram a ação de milícias nos estados, formadas na maioria das vezes por policiais.
Yulo Oiticica lembrou que, no início do ano, quando tornou públicas as denúncias que chegavam à Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa da Bahia, foi agredido por policiais e teve o carro alvejado. Para Oiticica, falta interesse da Secretaria de Segurança Pública do Estado para investigar as denúncias feitas pela comissão estadual de Direitos Humanos contra os grupos de extermínio. O deputado afirmou ainda que, somente no último fim de semana, esses grupos foram responsáveis por mais de 12 homicídios.
Já o deputado Gilmar Carvalho entregou à CPI gravações de conversas telefônicas que, segundo ele, comprovam o envolvimento de políticos e membros da cúpula da Secretaria de Segurança de Sergipe com o crime organizado.
DESAPARECIMENTO
Um dos casos citados por Gilmar Carvalho foi a fuga, em julho passado, de Floro Calheiros, acusado de comandar uma rede criminosa que atuava em Sergipe, na Bahia, em Pernambuco e em Alagoas. Preso no início do ano, estava detido na Primeira Delegacia Distrital de Aracaju, quando desapareceu sem deixar pistas, mesmo estando sob guarda da Polícia Civil e Polícia Militar.
A delegada titular Meire Monfort, que também foi ouvida pela comissão, disse que não estava de plantão no dia da fuga, mas confirmou o depoimento prestado à Polícia Federal de que sabia do plano para executar Floro Calheiros, arquitetado, segundo a delegada, pelo atual secretário de Segurança de Sergipe, desembargador Luiz Mendonça. Meire Monfort contou que no dia 8 de maio foi convidada pelo secretário para uma reunião, onde recebeu promessas de ascensão profissional em troca de colaboração no crime. "Na primeira tentativa, ele simularia um resgate do preso; na segunda, ele disse que tentaria simular um suicídio. Não recebi nenhuma ameaça, mas por ter tido a ousadia de denunciar o atual secretário de Segurança Pública, eu temo por minha segurança e de minha família".
Após os depoimentos, o presidente da CPI, deputado Bosco Costa (PSDB-SE), anunciou a intenção de convidar o secretário de Segurança Pública de Sergipe para prestar esclarecimentos. "Ele foi convidado, mas em virtude da comissão ter requisitado documentos à Secretaria ao Ministério Público de Sergipe, achamos por bem só trazer o delegado após o envio da documentação que foi solicitada".
ATUAÇÃO
Além de Sergipe e Bahia, a CPI já ouviu relatos de crimes dessa natureza em quase todos os nove estados do Nordeste. O deputado Luiz Couto (PT-PB), relator da comissão, disse que já tem dados para afirmar que a maioria dos grupos atuam em Pernambuco, Alagoas e Paraíba.
Reportagem - Giuliano Cartaxo
Edição: Luciana César
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