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Educadores criticam qualidade do ensino fundamental

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Por: Agência Câmara
Data de Publicação: 3 de novembro de 2003
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Dos 32 milhões de alunos da 4ª série do ensino fundamental das escolas públicas do País, 59% lêem com dificuldade e, desse total, 22% não sabem ler nada. Além disso, 52% dos alunos não conseguem fazer as operações básicas da matemática. Os dados são de uma pesquisa do Ministério da Educação, apresentados pela Secretária Nacional de Educação Infantil e Ensino Básico do MEC, Maria José Feres, durante debate na TV Câmara.

Os participantes do programa foram unânimes em afirmar que a prioridade do Governo para a área deve ser a melhoria da qualidade da educação básica.

AÇÕES PREVISTAS

Feres informou que o Governo federal quer reverter pelo menos parte do quadro de deficiência no ensino dentro dos próximos quatro anos e, para isso, está propondo um pacto para a melhoria da qualidade junto com estados e municípios.

Entre as ações previstas está a proposta de ampliação do ensino fundamental de oito para nove anos, a valorização do magistério, com a criação de um piso salarial nacional e um programa de formação continuada. De acordo com ela, o Ministério da Educação pretende implementar essas ações simultaneamente.

A secretária explicou que, para qualificar os professores, deverão ser feitas avaliações a cada cinco anos, certificadas pelo Ministério da Educação. Os professores aprovados ganhariam uma bolsa de estudos para se atualizar em sua área de ensino.

MUDANÇAS PROFUNDAS

O especialista em educação do Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade, Simon Schwartzman, lembrou que o Brasil já ampliou o acesso das crianças à escola. Ele também defende que a prioridade agora deve ser a mudança do sistema educacional. Schwartzman sugere mudanças profundas na metodologia, na formação do professor, no desenvolvimento de materiais escolares e na gerência das escolas.

Para o deputado Humberto Michiles (PL-AM), melhorar a qualidade da educação básica é evitar que o jovem abandone a escola pelo fracasso na aprendizagem. Ele acredita que a falta de qualidade da educação amplia a desigualdade social. "Se não for pela educação, o Brasil continuará concentrando renda, sob pena de continuarmos um País injusto".

Michiles ressaltou que a educação tem que estar acima de políticas e depende de um grande pacto. "É vergonhoso que a média salarial dos professores seja de R$ 500".

EDUCAÇÃO INFANTIL

De acordo com o deputado Severiano Alves (PDT-BA), além de melhorar a qualidade do ensino fundamental, é preciso priorizar a educação infantil para garantir que a criança chegue com algum conhecimento na educação fundamental. "Se eu dou uma boa creche e uma boa pré-escola, a criança vai para a educação fundamental já sabendo ler e escrever. É muito mais fácil ter um bom desempenho na educação fundamental se ela teve base na educação infantil", analisou. O deputado propõe que 5% dos recursos da educação sejam destinados à educação infantil.

Severiano Alves lembrou também que uma proposta de emenda constitucional para a criação do Fundo para a Educação Infantil já está tramitando na Câmara. O parecer de admissibilidade está pronto para votação na Comissão de Constituição e Justiça e de Redação.

BUROCRACIA

Simon Schwartzman afirmou ainda que todas as propostas apresentadas no debate são válidas, mas que sua grande preocupação é que o sistema educacional brasileiro é muito burocrático. O especialista defendeu a reorganização da administração educacional, concomitantemente às demais ações sugeridas.

Reportagem - Gizele Benitz

Edição - Daniela André

 

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