Um jovem branco de 25 anos tem em média dois anos e quatro meses de estudo a mais que um negro de mesma idade, de acordo com dados do IBGE. A informação foi apresentada pela representante do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino Particulares do Distrito Federal (Senepe), Amábile Pácios, em audiência pública nesta terça-feira, na Comissão de Educação e Cultura. O objetivo da audiência foi discutir o sistema de cotas raciais para negros.
Segundo Amábile, apenas 2% dos estudantes universitários no Brasil são negros e somam apenas 0,5% do total de estudantes das universidades públicas. Ela afirma ainda que o Brasil branco é 2,5 vezes mais rico que o Brasil negro; 81% dos brancos que são chefes de família desfrutam de água potável enquanto somente 64,7% dos chefes de família negros utilizam água potável. 73% das famílias cujo chefe é branco têm esgoto em suas casas, contra 49,7% das famílias negras.
FATOR ECONÔMICO
Para o reitor da Universidade Federal de Santa Maria, Paulo Jorge Sarkis, que também participou do encontro, o fator econômico é uma das causas que contribui para a exclusão dos jovens nas Universidades. "O grande divisor que faz a exclusão das populações no Brasil é a questão econômica e, portanto, investimos em aproximar a Universidade dos setores menos favorecidos", disse.
Em sua opinião, é necessário estabelecer programas de assistência que tragam condições de equidade de permanência dentro da Universidade. "O Governo pode instituir programas de apoio financeiro às Universidades", sugeriu.
A assessora especial do Ministério da Educação, Maria José Rocha, afirmou que o MEC criou neste ano um grupo interministerial para discutir cotas para negros. Maria José informou que já está sendo estudado na Casa Civil da Presidência o "Projeto Pai". O programa atende estudantes negros e carentes de ensino superior com promoção de bolsas de estudo.
CURSINHO EDUCAFRO
O coordenador do Pré-vestibular Comunitário Educafro, Frei David Raimundo dos Santos, apresentou no encontro suas experiências com o cursinho.
David defende um novo modelo de vestibular que privilegie o raciocínio rápido, a capacidade de liderança e a improvisação nas situações adversas. Ele é contra o vestibular tradicional e convencional, no qual o aluno não aprende, apenas decora. O projeto Educafro, pré-vestibular para negros e pessoas de baixa renda, nasceu no Rio de Janeiro, em 1989, tem 2.640 professores e já atendeu cerca de 14,2 mil alunos.
O modelo do projeto vem servindo para a implantação de cursos pré-vestibulares em outros estados. Até agora, segundo Frei David, 2.200 pré-vestibulares já copiaram a idéia.
Um dos autores do requerimento da audiência pública, deputado João Matos (PMDB-SC), e relator do projeto de lei (PL 633/02) que reserva 15% das vagas nos cursos de graduação das instituições de ensino superior para a população negra, defende uma proposta que estabeleça cotas não apenas para negros, mas também jovens carentes e outras minorias sociais, como os índios e os mestiços.
Reportagem Lucélia Cristina
Edição - Patricia Roedel
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