A Comissão de Agricultura e Política Rural discutiu nesta quinta-feira a crise na cultura de trigo. Participaram da audiência pública representantes do Ministério da Agricultura, da indústria, das cooperativas e do Conselho Nacional de Agricultura.
A crise ocorre na maior safra dos últimos anos - mais de 5 milhões de toneladas, 50% do consumo nacional. O produtor nacional, principalmente da região Sul, tem muito o que vender, mas não tem onde estocar e os preços tendem a diminuir.
PREÇO MÍNIMO
O Governo garantiu o preço mínimo ao produtor de R$ 400 a tonelada na região Sul e R$ 450 para o Centro Oeste, Sudeste e Bahia. Foi um acordo intermediado com a indústria, que agora não quer pagar.
Para o presidente da Comissão Nacional de Cereais, Fibras e Oleaginosas da CNA, Macel Caixeta, quem perde é o produtor, "que está em situação de dificuldade, e a prova é a queima de trigo no Rio Grande do Sul, em protesto para que as autoridades olhem mais carinhosamente para a cultura".
VEZ DA INDÚSTRIA
Para o deputado Orlando Desconsi (PT-RS), o Governo já fez sua parte quando aumentou o preço mínimo da tonelada de R$ 285 para R$ 400, estimulando o plantio de trigo. Agora, para o deputado, é a vez de a indústria cumprir o acordo.
"Nós não entendemos que a indústria nacional continue importando trigo argentino a R$ 580 a tonelada, e pagando no Paraná em torno de R$ 415 a tonelada, e no Rio Grande do Sul menos de R$ 400. Isso não contribui com a vontade política demonstrada pelo Governo Lula", afirmou.
O representante da Associação Brasileira da Indústria do Trigo, Roland Guth, disse que a indústria está comprando o trigo possível. Só no Paraná, segundo Roland, foram compradas 1,2 milhão de toneladas em dois meses. Ele explicou que não há capital para comprar mais e que a indústria não tem onde armazenar o trigo.
Reportagem - Teresa Cristina Soares
Edição - Luiz Claudio Pinheiro
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