A renovação do acordo do Brasil com o Fundo Monetário Internacional sem que haja estrita necessidade é prejudicial à economia do País. A avaliação é do professor da Unicamp, Ricardo Carneiro, que participou nesta quarta-feira do seminário "Renovar com o FMI para quê?", promovido pela Frente Parlamentar em Defesa do Financiamento Público e da Soberania Nacional da Câmara.
O objetivo do seminário foi promover uma reflexão sobre as conseqüências de um novo acordo. O Ministro da Fazenda, Antônio Palocci, anunciou no início deste mês que, até dezembro, o acordo será renovado, o que desta vez garantirá ao Brasil o direito de sacar quatorze bilhões de dólares.
Para Ricardo Carneiro, o acordo amarra a política econômica do Governo a um modelo de política que não tem mostrado bons resultados. "O fato de não renovarmos o acordo daria uma possibilidade de ampliar os gastos sociais, porque não seria necessário realizar um superávit primário tão elevado", pondera.
Na opinião do professor de Economia da UFRJ César Benjamim, com a assinatura o País perderá a oportunidade de alterar a política econômica, que, no início do Governo, era anunciada como transitória. A função do acordo é estabelecer de papel passado, tanto para a comunidade internacional quanto para a sociedade brasileira, que a política econômica será mantida, e isso é muito ruim, porque vamos congelar o que está aí. O FMI é uma espécie de UTI do sistema internacional: só países que estão na iminência de decretar moratória recorrem o FMI, o que não é o caso do Brasil", analisa.
Para o coordenador da Frente Parlamentar em Defesa do Financiamento Público e da Soberania Nacional, composta por 62 parlamentares, deputado Ivan Valente (PT-SP), o FMI monitora a economia brasileira impondo sacrifícios desnecessários à Nação. "Uma coisa era mantermos os contratos firmados pelo governo anterior. Mas agora trata-se de uma iniciativa do próprio Governo, e entendemos que isso aprofunda a dependência do País, criando imposições continuístas à política econômica", afirma, criticando o governo de seu partido.
Na semana passada, um grupo de parlamentares apresentou um abaixo-assinado de parlamentares contra o acordo. Segundo o deputado Ivan, o documento já conta com 45 assinaturas.
Reportagem Lucélia Cristina
Link para a página original
0 pessoas comentaram a notícia "Economistas criticam renovação do acordo com FMI"
Deixe o seu comentário
* Os textos publicados neste espaço são de responsabilidade única de seus autores e podem não expressar necessariamente a opinião do Direito 2.