O relator da CPI dos Grupos de Extermínio, deputado Luiz Couto (PT-PB), questionou há pouco a delegada Lenise Borges sobre os métodos usados pelo grupo de extermínio Anjos da Guarda, que atuava no interior de Pernambuco. A delegada informou que o chefe Abdoral Gonçalves de Queiroz decretava toque de recolher no município de Timbaúba nos dias de matança, quando ele e seu grupo apareciam vestidos de jaquetas de couro preto e encapuzados, com o claro objetivo de intimidar a população.
Segundo a delegada, Abdoral ou alguém de sua confiança sempre aparecia após os crimes para ameaçar as testemunhas. Além disso, integrantes do grupo passavam nos fins de semana para recolher dinheiro dos comerciantes da cidade, que eram executados se não pagassem.
Lenise Borges disse aos deputados que o chefe dos Anjos da Guarda agia como polícia e representante da Justiça, julgando e condenando sumariamente a população em casos de conflitos familiares e brigas de vizinhos. Por isso, e por medo, os cidadãos não o denunciavam à polícia.
Ainda explicando os métodos da quadrilha, a delegada informou que o treinamento para o uso de armas era feito no Sítio dos Borges, localizado a poucos quilômetros de Timbaúba e pertencente a Abdoral. Até policiais militares participavam desse treinamento, inclusive fornecendo armas.
A delegada participou da operação que resultou no desmantelamento do grupo de extermínio, no ano passado.
Reportagem Márcia Schmidt
Edição Rejane Oliveira
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