A utilização dos recursos hídricos na agricultura, o aumento da produtividade da água no campo, o uso de tecnologias no processo de irrigação e o rebaixamento dos aqüíferos no Brasil foram os temas debatidos hoje em audiência pública na Comissão de Agricultura e Política Rural. Participaram da reunião o secretário de Infra-Estrutura Hídrica do Ministério da Integração Nacional, Hypérides Pereira de Macedo; o superintendente de Conservação de Água e Solo da Agência Nacional de Águas (ANA), Antônio Félix Domingues; o diretor da Faculdade de Tecnologia de São Paulo (Fatec), Dirceu D'Alkmin Telles e o professor da Universidade de São Carlos Paulo Cezar Bodstain Gomes.
O deputado Nelson Marquezelli (PTB-SP), que coordenou os trabalhos, informou que será preparado um documento sobre o debate realizado hoje, que analisou a utilização de recursos hídricos na agricultura, para ser enviado a parlamentares e ministérios. Os estudos apresentados durante a audiência já estarão disponíveis a partir desta sexta-feira, na página eletrônica www.camara.gov.br, no item 'Comissões', na parte de audiências públicas da Comissão de Agricultura.
CUSTO-BENEFÍCIO
O diretor da Faculdade de Tecnologia de São Paulo (Fatec), Dirceu D'Alckmin Telles, apresentou um trabalho que avalia a irrigação no Brasil. Ele ressaltou que é necessária a elaboração de um estudo para racionalizar o uso da água, "para se obter uma boa relação custo-benefício. Ele alertou que, da forma como é feita a irrigação atualmente, gasta-se muita água.
Já o professor de agronomia da Universidade Federal de São Carlos Paulo Cezar Bodstein argumentou que o foco principal do abastecimento da água deve ser as pessoas, e que, por isso, a comunidade deve participar das decisões sobre a utilização dos recursos. "Com a descentralização do poder gerencial da água, os problemas locais seriam resolvidos com maior facilidade", assegurou o professor. "Não adianta ficar falando dos problemas que ocorrem na agricultura. Devemos é prever e ter como resolver esses problemas com estudos e atitudes", complementou o convidado.
COBRANÇA
O superintendente da ANA, Antônio Félix Domingues, defendeu a cobrança pela utilização de recursos hídricos na agricultura. Ele afirmou que a cobrança é muito importante, pois o estoque de água atual no planeta é limitado. "O objetivo da cobrança não é punir, mas sim instruir os brasileiros para o uso racional da água no País". Domingues disse também que o dinheiro arrecadado com a cobrança será revertido para a conservação das bacias hidrográficas brasileiras.
COMBATE À POBREZA
Já o secretário de Infra-estrutura Hídrica do Ministério da Integração Nacional, Hypérides Pereira de Macedo, apresentou na reunião o estudo realizado conjuntamente pelo Banco Mundial (Bird) e o Fundo das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) sobre a irrigação no Brasil. Ele espera que o resultado desse estudo faça o Bird financiar novamente o projeto de irrigação e com isso contribua para o combate à pobreza no Brasil .
Reportagem Malena Rehbein
Edição - Paulo Cesar Santos
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