A Área de Livre Comércio das Américas (Alca) pode trazer benefícios, desde que bem negociada. Essa é a avaliação do diretor de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Fiesp, Maurice Costin, que participou nesta terça-feira de audiência pública realizada na Comissão Especial destinada a acompanhar as negociações para implementação da Alca.
Para Costin, é preciso que a Alca seja fortalecida e dê vantagens ao Brasil. Segundo ele, a proposta de flexibilização desenhada após o encontro realizado em Miami(EUA), no mês passado, preocupa a indústria, porque pode estimular o governo norte-americano a prosseguir em sua estratégia de realizar acordos bilaterais com os demais países latino-americanos. "Somos um país menos rico, e os Estados Unidos são o país mais rico. E são os países mais ricos que precisam fazer concessões", defendeu Costin, em um discurso próximo ao adotado pelo presidente Lula.
A Fiesp considera também que a inexistência de regras claras sobre defesa comercial pode ser prejudicial ao Brasil. "Mesmo com acesso teoricamente livre, poderíamos ser prejudicados pelas empresas e pelo Governo dos Estados Unidos pelo uso abusivo de instrumentos como direitos anti-dumping, medidas compensatórias e salvaguardas, como já ocorre com os nossos produtos siderúrgicos", advertiu Maurice Costin.
SOBERANIA
A relatora da Comissão Especial da Alca, deputada Maninha (PT-DF), que participou do encontro em Miami, defendeu um acordo que não fira a soberania nacional e que traga igualdade no comércio entre todos os países. Para a deputada, o Itamaraty está agindo de forma correta. "Nós queremos negociar, mas de acordo com nosso mercado. Se nos interessar, vamos negociar, se não nos interessar, vamos remeter à OMC". Após a audiência com Costin, a Comissão ouviu o relato da deputada Maninha sobre a reunião de Miami.
Reportagem - Lucélia Cristina
Edição - Maristela Sant'Ana
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