No dia em que se comemoram dez anos da Lei Orgânica da Assistência Social (Loas), a Comissão de Seguridade Social e Família realizou, nesta terça-feira, audiência pública para debater as conquistas e desafios à gestão pública desde a implementação da lei e as propostas relacionadas à sua alteração.
Para a representante do Conselho Nacional dos Direitos dos Idosos, Maria da Penha da Silva Franco, "a política nacional do idoso e a Loas vêm garantindo a cidadania da terceira idade, mas ainda há muito o que avançar".
O representante do Conselho Nacional das Pessoas Portadoras de Deficiências (Conade), Carlos Ajur, foi um dos que criticaram a lei, afirmando que houve poucos avanços na assistência social para as pessoas portadoras de deficiência.
SISTEMA ÚNICO
Ao fazer um balanço dos dez anos da Loas, a deputada Maria do Rosário (PT-RS), autora do requerimento para a realização da audiência pública, concluiu que "ainda estamos longe de conseguir aplicar a Lei Orgânica de Assistência Social". De acordo com ela, para ser possível aplicar a lei, é preciso criar um sistema único de Assistência Social no País, que contemple as tarefas da União, dos estados e dos municípios. A deputada também defende a garantia de um percentual mínimo dos recursos públicos para a Assistência Social.
Entre as mudanças propostas por Maria do Rosário, também está a necessidade de modificar os critérios para a população de baixa renda ter acesso ao benefício de prestação continuada do INSS, que, atualmente, é de 1/4 do salário mínimo per capita.
A Câmara realizará na próxima terça-feira (10), às 11 horas, sessão solene para comemorar os dez anos da Lei Orgânica da Assistência Social.
O QUE É A LOAS
Instituída em 1993, a lei regulamenta os direitos dos cidadãos em relação à assistência social e a forma como a assistência deve ser prestada pelo Estado.
A lei determina a universalização dos direitos sociais e a
supremacia do atendimento às necessidades sociais sobre as exigências de rentabilidade econômica.
Pelo texto da Loas, a organização da assistência social deve ser descentralizada para os Estados, o Distrito Federal e os municípios, e deve contar com a participação da população na formulação das políticas, por meio de organizações representativas.
Reportagem - Érica Amorim
Edição Patricia Roedel
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