A CPI da Pirataria continua tomando o depoimento de Norma Regina, auditora aposentada da Receita Federal presa sob a acusação de pertencer a uma das maiores quadrilhas de falsificadores de cigarros, entre outros crimes, juntamente com policiais e juízes.
Ao ser questionada pelo vice-presidente da CPI, deputado Júlio Lopes (PP-RJ), sobre o fato de fitas gravadas sobre o caso do assassinato do prefeito Celso Daniel, de Santo André, terem sido encontradas em seu apartamento, Norma Regina começou a chorar. Disse que tinha o direito de ficar calada, que preferia não tocar no assunto e que corre risco de vida.
ATAQUES DE FÚRIA
A depoente disse ainda à CPI que tinha um relacionamento conturbado com o ex-marido, o juiz João Carlos da Rocha Matos, com quem esteve casada entre 1988 e 1998. Por duas vezes, ela teria pensado na hipótese de pedir a interdição do juiz. Segundo Norma, Rocha Matos tinha ataques de fúria, nos quais teria agredido o próprio filho e tentado matá-la.
Norma Regina afirmou que sua maior preocupação hoje é com o filho, que tentou o suicídio aos 7 anos de idade, e revelou que o juiz Rocha Matos também é filho de suicida. Em 1998, ela teria se separado dele, mas os dois voltaram a conviver na mesma casa a pedido do filho. A depoente garantiu que não tinha conhecimento dos atos ilícitos do ex-marido e que passou a gravar as fitas como forma de se proteger.
CONTAS BANCÁRIAS
Em outro trecho do depoimento, Norma não soube explicar as oscilações e a movimentação de sua conta bancária. Em 1998, a movimentação foi de R$ 156 mil; em 1999, subiu para R$ 872 mil; em 2000, baixou para R$ 246 mil; em 2001, voltou a subir para R$ 712 mil; em 2002; a movimentação foi de R$ 156 mil; e neste ano já havia chegado a R$ 201 mil.
O relator, deputado Josias Quintal (PMDB-RJ), pediu explicações para essas movimentações. Norma não respondeu e disse que suas declarações de renda estavam sendo analisadas pela Polícia Federal e pela CPI.
DADO NOVO
O deputado Júlio Lopes afirma que o depoimento não atendeu aos anseios dos integrantes da CPI, mas trouxe um dado novo. A CPI não sabia que a relação do casal era conturbada e do desequilíbrio do juiz.
Além disso, apesar de Norma ter negado que o ex-marido tinha ligação com o comerciante chinês Law Kin Chong, dono de um shopping de contrabando desbaratado pela Operação Anaconda, o parlamentar afirma que já existem indícios de ligação entre o comerciante chinês e o juiz. Rocha Matos levou o filho para um jantar com chinês, afirmou Lopes. Ninguém leva um filho para um jantar quando não tem intimidade com a outra pessoa.
Reportagem - Carmem Fortes
Edição Ana Felícia
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