A presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional, deputada Zulaiê Cobra (PSDB-SP), criticou a idéia defendida por ministros do Governo de criar alianças militares para baratear a produção de armas para as Forças Armadas e garantir a defesa da Amazônia.
A proposta foi apresentada primeiramente pelo ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, que sugeriu a criação de um bloco militar formado por países da América do Sul. Em seguida, o ministro da Defesa, José Viegas, disse que uma união militar entre Brasil, Argentina, África do Sul e Índia poderia ajudar na redução dos custos da produção de armamentos militares, aumentando o poder de defesa das forças armadas nos quatro países.
DEFESA INTERNA
Para Zulaiê Cobra, antes de pensar em alianças dessa natureza, o Governo brasileiro deveria reestruturar as defesas internas do País e recuperar as Forças Armadas. "Se temos dificuldades financeiras na área de defesa, como vamos falar em integração militar com os demais países da América do Sul, em especial com a Argentina?, indagou. Por hora, o Governo deveria se concentrar em encontrar recursos para manter a defesa do território nacional.
Segundo a deputada, Exército, Marinha e Aeronáutica apresentaram emendas ao Orçamento de 2004 no valor total de cerca de R$ 2,5 bilhões. Os recursos serviriam para bancar a folha de pagamento do efetivo, a aquisição de armas e equipamentos.
TENDÊNCIA MUNDIAL
O deputado Fernando Gabeira (Sem Partido-RJ) também não concorda com a criação de uma aliança militar em defesa da Amazônia. Para ele, essa é uma luta a ser travada no campo diplomático.
Na opinião do deputado, porém, a posição manifestada pelos ministros brasileiros segue uma tendência mundial. É um movimento semelhante ao que a Europa vem fazendo, de criar uma força integrada fora da Nafta, explicou. Essa tendência decorre também da desconfiança em relação aos Estados Unidos, pela posição unilateral daquele país frente à guerra do Iraque.
Reportagem Giulianno Cartaxo
Edição - Rejane Oliveira
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