A audiência pública promovida pela Comissão de Turismo e Desporto discutiu hoje o calendário do futebol brasileiro e as dificuldades dos clubes e dos atletas profissionais.
O vice-presidente da Confederação Brasileira de Futebol, Nabi Abi Chedid, declarou que o respeito aos resultados do ano passado, quando grandes times como o Palmeiras e o Botafogo caíram para a segunda divisão, enterrou de vez a figura do tapetão no futebol brasileiro.
Nabi Abi Chedid anunciou que a CBF já definiu os calendários até 2006. Segundo o dirigente, no ano que vem permanecem 24 equipes na primeira divisão, mas quatro clubes cairão e dois clubes vão subir da segunda divisão. Em 2005 serão 22 times na primeira divisão com a descida de quatro e a subida de dois. Em 2006, o dirigente diz que a CBF chegará ao calendário ideal, com 20 clubes, em cada uma das séries, e a previsão de quatro clubes caírem para a segunda divisão e quatro subirem para a primeira. "Isto vai valorizar a segunda divisão e dar mais chances para os grandes times retornarem à primeira divisão".
Chedid tratou também do calendário de 2004, com todas as competições. Ele informou que os campeonatos estaduais começam no dia 21 de janeiro e terminam em 18 de abril. Na semana seguinte, começa o Campeonato Brasileiro, que vai até o final do ano. Ele disse também que a CBF pretende publicar ainda neste ano as tabelas dos campeonatos das séries A e B (primeira e segunda divisão). "Esperamos que assim desapareça o fantasma da queda para a segunda divisão", completou.
O autor do requerimento de audiência pública, deputado José Rocha (PFL-BA), elogiou a iniciativa da CBF de divulgar com antecedência o calendário das competições oficiais. O deputado também ressaltou que os problemas só serão resolvidos com a união dos segmentos ligados ao futebol. "Na medida que reunimos para discutir todas as pessoas do setor, nós procuramos justamente encontrar um ponto de convergência, que é promover um grande espetáculo".
MÉDIA PARA SEGUNDA DIVISÃO
Também participaram da audiência representantes dos atletas e do Clube dos 13. O presidente do clube Palmeiras e vice-presidente do Clube dos 13, Mustafá Contursi, defendeu a média da performance dos clubes nos últimos três anos como critério para se definir o rebaixamento para a segunda divisão.
Essa média estava em prática em 1999, quando ocorreu o problema com o Gama, que seria rebaixado e entrou na justiça comum para reverter a situação. Nesse ano, a CBF criou a copa João Havelange que trouxe de volta para o Campeonato Brasileiro vários times que estariam sendo prejudicados e o sistema de rebaixamento por média foi extinto.
O dirigente antecipou que vai defender a volta do sistema de rebaixamento por média na reunião do Congresso Técnico que ocorrerá antes do Campeonato Brasileiro de 2004.
ATLETAS
Já o presidente do sindicato dos atletas profissionais de São Paulo, o ex-goleiro Rinaldo José Martorelli, enfatizou que os campeonatos regionais ou estaduais de futebol deveriam ser mais prestigiados. Ele acredita que desta forma os atletas teriam atividade, pelo menos, por 10 meses ao ano. O jogador afirmou que é lamentável ver a CBF se preocupando apenas com o Campeonato Brasileiro, "quando existem mais de 800 clubes no País.
O dirigente também criticou os horários de jogos, marcados para as 11 e as 16 horas. "No horário de verão essas partidas são muito sacrificantes para os atletas. Além disso, Martorelli criticou a ausência no debate representante da Globo Esportes, porque considera essencial a discussão do calendário com a principal comprador dos direito de transmissão dos jogos.
Reportagem - Beto Rosemberg
Edição - Regina Céli Assumpção
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